Presidente acusa Joe Biden de “incitar ao caos” ao apoiar protestos

Irão

16 de out. de 2022, 18:43 — Lusa /AO Online

O Irão é, desde 16 de setembro, palco de manifestações de rua desencadeadas pela morte da jovem de 22 anos, violentamente espancada e detida na capital a 13 de setembro pela “polícia da moral”, por ter, segundo esta, infringido o rígido código de indumentária da República Islâmica para as mulheres, ao deixar à vista parte do cabelo, embora envergasse o obrigatório ‘hijab’ (véu islâmico).A jovem foi hospitalizada em coma e morreria três dias depois.Dezenas de pessoas foram mortas em quase um mês de protestos, sobretudo manifestantes, mas também elementos das forças de segurança, e centenas de outras foram detidas, de acordo com as autoridades iranianas.Na sexta-feira, o Presidente dos Estados Unidos disse estar “ao lado dos cidadãos, as bravas mulheres do Irão”, manifestando-se “espantado” com os protestos.As mulheres "devem ser capazes de usar o que quiserem", sustentou Joe Biden, sublinhando que "o Irão deve acabar com a violência contra os seus próprios cidadãos que estão simplesmente a exercer os seus direitos básicos”."As palavras do Presidente norte-americano, que se permite a incitar ao caos, o terror e à destruição de outro país, lembram as eternas palavras do fundador da República Islâmica [Aiatola Rouhollah Khomeini], que chamou a América de grande Satanás", refere Ebrahim Raisi, segundo um comunicado de imprensa da Presidência.O líder do Irão considera que "a conspiração do inimigo deve ser combatida por medidas eficazes para resolver os problemas das pessoas".Também a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irão, acusou hoje o Ocidente de fomentar "motins" em várias escolas, denunciando uma "invasão cultural, política e de segurança" no país.O movimento de protesto espalhou-se nos últimos dias por várias escolas em todo o país, com vídeos partilhados online de crianças em idade escolar a gritar slogans anti-governo e meninas em idade escolar a removerem os seus véus em protesto."Os motins são o produto de grupos de reflexão nos EUA e na Inglaterra e espalharam-se pelas nossas salas de aula", disse o chefe da Guarda Revolucionária, general Hossein Salami, citado pelo Sepah News, o 'site' oficial desta divisão de elite das forças armadas iranianas."Hoje, o inimigo abriu um novo campo de invasão cultural, política e de segurança (...) este é o campo de guerra mais complexo onde o inimigo tem uma presença séria", acusou Salami.Os Estados Unidos anunciaram sanções económicas a 06 de outubro contra sete altos funcionários iranianos pelo papel que desempenham na repressão de protestos, após uma primeira série de sanções anunciadas em 22 de setembro contra a polícia iraniana e vários funcionários de segurança.