Presidenciais: Chuva não trava eleitores no voto antecipado para segunda volta
Hoje 17:52
— Lusa
O momento é histórico: é a segunda vez, em democracia, que a eleição do Presidente da República é decidida numa segunda volta.A primeira foi em 1986, quando os portugueses escolheram entre Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral, e com apenas uma oportunidade para depositar o voto: dia 16 de fevereiro, data das eleições.Quatro décadas depois, mais de 300 mil inscreveram-se para votar antecipadamente, uma semana antes do dia das eleições presidenciais, e na Cidade Universitária, em Lisboa, são esperadas cerca de 34 mil pessoas. Mariana Beirão foi uma delas e às 11:15 já tinha depositado a sua escolha. Com 18 anos, hoje foi a segunda vez que a jovem votou, apenas duas semanas depois de se ter estreado em atos eleitorais.“É uma sensação boa, sinto que estou a contribuir para a sociedade e para melhorar o que há para melhorar enquanto país”, sublinhou a jovem, que decidiu votar antecipadamente para poder partilhar esse momento com a mãe, uma vez que no próximo domingo não conseguiriam fazê-lo juntas.A experiência de votar na Cidade Universitária foi comum entre os eleitores ouvidos pela Lusa: um processo rápido, organizado e com o apoio de vários voluntários sempre disponíveis para esclarecer qualquer dúvida.“Cinco estrelas”, resumiu Francisco Roca, à saída da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde votou cerca das 11:00.Até às 11:30, tinham votado cerca de 14% dos inscritos para votar antecipadamente em Lisboa, segundo um balanço feito pela Câmara Municipal de Lisboa ao final da manhã.Na capital, o voto antecipado realiza-se em 118 secções e sete locais de voto, todos localizados na Cidade Universitária. Durante toda a manhã, a chuva, ainda que pouco intensa, não deu tréguas, mas também não afastou os eleitores que, não tendo disponibilidade para votar no dia 08, fizeram questão de exercer esse direito antecipadamente, munidas de chapéus-de-chuva.“É extremamente importante. Acho que as pessoas devem fazer as suas escolhas e devem vir mostrar os seus interesses e quem os protege”, sublinhou Francisco Roca.Maria Filipe concorda e acrescenta que é o momento para “fazer a retrospectiva do que é que já passaram” e decidir sobre o que querem para o futuro.“Estamos numa altura de todos votarem, ainda bem que temos liberdade para poder votar”, sublinhou.Com mais 6.986 inscritos do que na primeira volta das eleições presidenciais, o movimento não cessou na zona da Alameda Universitária, por onde centenas de pessoas continuavam a circular por volta das 13:00.Dirigindo-se aos jovens da sua geração, Mariana Beirão partilha a apelo da mãe, Cláudia Beirão, que elogiou a mobilização que encontrou durante a manhã na Cidade Universitária.“Eu diria para os jovens virem votar e terem muita noção em quem vão votar, porque é importante”, defendeu Mariana.A administração eleitoral recebeu 308.501 inscrições de eleitores que pretendem exercer hoje o voto de forma antecipada em Portugal continental e nas Regiões Autónomas da Madeira e Açores, mais 90 mil do que na primeira volta, segundo dados enviados à Lusa pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI).Os distritos com maior número de inscritos são Lisboa (89.689), Porto (50.518), Setúbal (26.580), Braga (17.601), Aveiro (17.257), Faro (16.621), Coimbra (15.035), Santarém (12.242) e Leiria (11.663).A votação antecipada em mobilidade é possível para os eleitores recenseados em Portugal que se inscreveram para exercer o direito de voto neste dia.Por causa dos efeitos da tempestade, o local de voto antecipado em mobilidade foi alterado em seis municípios - Vieira do Minho, Alvaiázere, Leiria, Torres Vedras, Alcácer do Sal e Silves.