Presidência sueca da UE assume como prioridade apoiar “vitória existencial”

Ucrânia

11 de jan. de 2023, 13:26 — Lusa/AO Online

Numa conferência de imprensa, em Estocolmo, para apresentar as prioridades da presidência sueca do Conselho da UE, iniciada a 01 de janeiro, Ulf Kristersson abordou as quatro grandes prioridades do semestre europeu – segurança, competitividade, transição ecológica e energética e valores democráticos e Estado de direito -, mas assumiu que “a prioridade de topo, por razões óbvias, é a Ucrânia”.Apontando que, desde que a Rússia lançou a agressão militar na Ucrânia, em fevereiro de 2022, “não houve divisões”, o chefe de governo conservador sublinhou por diversas vezes a importância de preservar “o enorme ativo” que constitui a unidade na resposta à guerra, tanto dentro da UE, como entre os 27 e os Estados Unidos, e disse que o objetivo de Estocolmo é assegurar que “a União Europeia continuará unida em termos de apoio à Ucrânia e de sanções à Rússia”.“Vamos manter o apoio à Ucrânia a todos os níveis, porque a vitória da Ucrânia é existencial para outros países europeus também”, disse então o chefe de governo.Lembrando o pacote de ajuda de macrofinanceira à Ucrânia para o corrente ano, de 18 mil milhões de euros, acordado em dezembro pelos 27, e o apoio humanitário que tem sido prestado, Ulf Kristersson disse esperar que ainda este mês sejam tomadas “decisões” a nível de reforço de apoio militar, designadamente armamento. Lembrando que o envio de armamento para a Ucrânia se defender da agressão russa é muitas vezes feito a um nível bilateral – e saudando os recentes anúncios feitos por Estados Unidos, Alemanha e França -, o primeiro-ministro sueco frisou que os Estados-membros da UE têm procurado responder “de forma coordenada” aos pedidos de Kiev.“Temos uma imagem muito clara sobre o que a Ucrânia precisa, eles são muito claros relativamente às suas necessidades”, disse, adiantando então que espera que vários países europeus “tomem decisões” em breve, escusando-se todavia, pela sua parte, a revelar desde já os contributos que Estocolmo tem em mente, limitando-se a dizer que teve recentemente “uma ótima conversa” por videoconferência com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.“Confirmei-lhe que queremos fazer mais. Estamos a estudar opções, a falar com parceiros, e espero decisões em janeiro”, declarou.Numa conferência de imprensa destinada a correspondentes de órgãos de comunicação social em Bruxelas, Ulf Kristersson iniciou a intervenção com uma mensagem destinada à população sueca, a advertir para os perigos da desinformação russa.Reportando-se a um episódio ocorrido há poucos dias, quando declarações suas foram deturpadas por vários órgãos de informação russos, que noticiaram que Kristersson afirmara que o seu governo admitia a colocação de armas nucleares em território sueco – quando, na verdade, disse que não estando a Suécia envolvida num conflito tal cenário não era equacionado -, o primeiro-ministro advertiu para os riscos da constante “interferência russa na política interna” de outros países.“Podemos claramente ver um padrão. Desta vez, a desinformação sobre armas nucleares, em pleno processo de adesão da Suécia e Finlândia à NATO era demasiado óbvia, mas a minha mensagem para os suecos é que estejam muito atentos. Esta desinformação é muito perigosa e exorto todos os suecos a serem cuidadosos e a não contribuírem para a propagação de ‘fake news’”, declarou.A Suécia assumiu a 01 de janeiro a presidência semestral do Conselho da União Europeia (UE), herdando da liderança semestral checa um cenário de crise económica e energética, reflexo da invasão da Ucrânia pela Rússia.Com a generalidade dos líderes políticos e analistas a prognosticarem que o conflito na Ucrânia vai arrastar-se ao longo de 2023, a unidade dos 27 do bloco europeu na resposta à agressão militar russa à Ucrânia, que foi encarada como um dos grandes sucessos da União em 2022, está também no topo das prioridades da presidência sueca do Conselho.Kristersson lidera um governo minoritário de direita com o apoio parlamentar dos Democratas Suecos (extrema-direita).