Presidência do Brasil do G20 foi “um êxito” e Portugal contribuiu para “soluções mais consensuais”
19 de nov. de 2024, 17:48
— Sara Madeira/Lusa/AO Online
Luís
Montenegro falava em conferência de imprensa, no final da cimeira do
G20 no Rio de Janeiro, cujos trabalhos Portugal integrou pela primeira
vez como observador a convite da presidência brasileira.“Combate
à pobreza, combate à fome, aposta em maior soberania alimentar como
condição para podermos ter mais igualdade, a contribuição para
aproveitarmos o potencial da inteligência artificial, a preservação do
clima, a responsabilidade que temos para com as futuras gerações, foi
uma presidência que teve êxito, que teve sucesso”, afirmou, felicitando o
povo brasileiro e o Presidente Lula da Silva. Montenegro
desejou também felicidades à futura presidência do G20, a África do
Sul, salientando que é no continente africano que se colocam de forma
mais premente os desafios colocados na reunião pelo Brasil.No
balanço da participação de Portugal, o primeiro-ministro considerou que
o país esteve sempre na “linha da frente” para que as conclusões da
reunião pudessem “não só ser o mais consensuais, mas também o mais
profícuas possível para os próximos anos”. Além
de integrar, como país fundador, a Aliança para o Combate à Fome e à
Pobreza lançada pelo Brasil, Montenegro destacou a participação hoje,
num encontro à margem dos trabalhos, com países como o Brasil, a
Espanha, a Índia, a Itália e a Organização Mundial de Saúde sobre a
utilização da inteligência artificial. “É
nosso propósito dotar a nossa administração pública dos instrumentos que
a inteligência artificial nos proporciona para podermos ser mais
eficazes a responder às solicitações dos cidadãos e também às
solicitações das empresas”, disse, considerando que a cooperação hoje
estabelecida é um instrumento importante de partilha de soluções.O
primeiro-ministro português salientou ainda a intervenção que fez na
terceira e última sessão de trabalho do G20, dedicada às alterações
climáticas e à transição energética, na qual disse ter partilhado o
Plano Nacional para o Clima e a Energia e as metas do país para atingir a
neutralidade carbónica até 2045, até 2030 conseguir uma redução de 55%
das emissões face ao valor de 2005, bem como, até o final da década,
poder ter 51% de energia renovável no consumo geral de energia em
Portugal.Neste tema, Montenegro disse ter
havido curiosidade sobre o programa de Portugal de converter a dívida de
alguns países no âmbito da cooperação externa em investimento
climático, “na produção de ganhos, na proteção do ambiente e na promoção
de energias renováveis”.“Já está em
funcionamento com Cabo Verde, está em vias de se começar a implementar
também em São Tomé e Príncipe, e creio que a experiência que tive a
ocasião de transmitir pode ser uma inspiração para que outros países no
âmbito também das suas políticas de cooperação externa”, afirmou.Montenegro
disse ter ainda reiterado, perante os membros e países convidados do
G20, a posição do governo português em colaborar “com todas as
iniciativas no domínio da transição climática e energética associadas à
preservação dos oceanos, da biodiversidade marítima”.“Temos
todo o interesse em aprofundar, como temos vindo a fazer com outros
países, as formas de podermos, por um lado, preservar a biodiversidade
marítima e, por outro lado, também aproveitar as oportunidades que no
mar se abrem para a produção de energia”, afirmou. Portugal
participou durante este ano em mais de 100 reuniões do G20 a convite do
Brasil, a nível ministerial e nível técnico, culminando com a cimeira
de chefes de Estado e de Governo, no Rio de Janeiro.Os
membros do G20 – EUA, China, Alemanha, Rússia, Reino Unido, França,
Japão, Itália, Índia, Brasil, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina,
Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Indonésia, México, Turquia e, ainda, a
União Europeia e a União Africana – representam as maiores economias,
cerca de 85% do Produto Interno Bruto mundial, mais de 75% do comércio
mundial e cerca de dois terços da população mundial.