Preparação do OE pode ter comprometido negociações com enfermeiros
OE2019
12 de out. de 2018, 12:20
— Lusa/AO Online
"Nós
temos estado muito condicionados, como sabem, pela questão do Orçamento
[do Estado] e quer o Ministério da Saúde quer o Ministério das Finanças
têm estado muito enfocados nos trabalhos preparatórios do Orçamento.
Isso, de alguma forma, pode ter comprometido a agilidade e a velocidade
das negociações", afirmou Adalberto Campos Fernandes hoje aos
jornalistas, à margem de uma visita à Unidade Local de Saúde da Guarda.Segundo o governante, ainda esta sexta-feira, o ministro das Finanças "vai estar, à tarde, com os sindicatos da Função Pública". "É
preciso perceber que nós estamos a trabalhar, estamos com boa vontade,
estamos de boa-fé, e que, infelizmente, o dia não tem 48 horas e, por
vezes, as coisas não vão à velocidade que nós queremos", assumiu.Adalberto
Campos Fernandes reafirmou que a vontade do Governo é chegar "a um
entendimento sobre aquilo que são as bases do desenho de uma carreira,
de uma arquitetura de carreira que os enfermeiros, e bem, há muitos anos
pugnam e que necessita de ser encarada, da parte do Governo, com a
maior atenção"."Depois,
há sempre as limitações que decorrem da fase seguinte que é a fase da
tradução em aspetos remuneratórios, mas isso, enfim, isso também os
próprios sindicatos têm assumido que é uma fase seguinte, é uma fase
posterior", concluiu.Os
enfermeiros iniciaram na quarta-feira o primeiro de seis dias de greve
para exigir ao Governo que apresente uma nova proposta negocial da
carreira de enfermagem que vá ao encontro das expectativas dos
profissionais e dos compromissos assumidos pela tutela.Os
sindicatos exigem a revisão da carreira de enfermagem, a definição das
condições de acesso às categorias, a grelha salarial, os princípios do
sistema de avaliação do desempenho, do regime e organização do tempo de
trabalho e as condições e critérios aplicáveis aos concursos.Reivindicam,
entre outras matérias, que a Carreira Especial de Enfermagem seja
aplicável a todas as instituições do setor público/SNS e a todos os
enfermeiros que nelas exercem independentemente da tipologia do contrato
e que sejam consagradas as condições de acesso à aposentação voluntária
dos enfermeiros e com direito à pensão completa sejam os 35 anos de
serviço e 57 de idade (base inicial para negociação).A
greve é convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP),
pelo Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira (SERAM),
pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR) e pela
Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE).