“Preocupação e ansiedade” entre familiares dos reféns após ataque israelita no Qatar
Médio Oriente
9 de set. de 2025, 17:02
— Lusa/AO Online
“Um profundo
temor paira sobre o preço que os reféns poderão pagar”, indicou o Fórum
de Reféns e Famílias Desaparecidas, num comunicado emitido após o ataque
aéreo contra a delegação negociadora do grupo islamita palestiniano em
Doha.Os familiares dos israelitas que
continuam detidos em Gaza expressaram também preocupação com possíveis
represálias contra os reféns.“Sabemos, pelos sobreviventes que regressaram, que a vingança dirigida contra os reféns é brutal”, acrescentou o Fórum.Os
familiares alertaram que os reféns vivos “podem ser mortos a qualquer
momento” e que os corpos dos mortos “podem desaparecer para sempre”,
após um ataque pelo qual o gabinete do primeiro-ministro de Israel,
Benjamin Netanyahu, assumiu “total responsabilidade”.De acordo com estimativas israelitas, acredita-se que dos 48 reféns que continuam na Faixa, 20 permanecem vivos.Com
a “certeza absoluta” de que “o seu tempo está a esgotar-se”, o Fórum
acredita que a possibilidade de trazer de volta os reféns enfrenta agora
“uma incerteza sem precedentes”.Por isso,
as famílias dos prisioneiros pediram o fim da guerra e exigiram que o
Governo israelita lhes apresente um “plano organizado” para um acordo
integral que permita o regresso dos reféns.O
ataque em Doha ocorreu no mesmo dia em que o ministro dos Negócios
Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, afirmou que Israel aceitou a última
proposta do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para um
cessar-fogo em Gaza, sob as condições de que todos os reféns no enclave
sejam libertados e que o Hamas deponha as armas.Pelo menos dois membros do Hamas morreram no ataque, disse um membro do gabinete político do movimento islamita palestiniano. No
Qatar, principal mediador da trégua em Gaza, juntamente com o Egito e
os Estados Unidos, vivem vários líderes do grupo islâmico. As
forças israelitas têm em curso uma ofensiva na Faixa de Gaza que causou
mais de 64.600 mortos no território governado pelo Hamas desde 2007.A
ofensiva seguiu-se ao ataque do Hamas no sul de Israel, em 07 de
outubro de 2023, que provocou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.Israel,
que anunciou uma operação para tomar a cidade de Gaza, no norte do
enclave, tem sido acusado de genocídio e de usar da fome como arma de
guerra, que nega.