Preocupação com famílias “ficou à porta” no novo pacote laboral
12 de nov. de 2025, 18:51
— Lusa
Os
governos dos Açores e da República “dizem-se preocupados com as
famílias, mas a preocupação com as famílias é retirar duas horas do
tempo que têm com as crianças em casa”, disse hoje o coordenador da
CGTP-IN/Açores, Rui Teixeira, numa conferência de imprensa onde abordou o
futuro da região e a valorização dos trabalhadores, perante as
propostas do pacote laboral “Trabalho XXI”.“Fica
aqui a pergunta, onde é que está a preocupação com as famílias?
Dizem-se preocupados com as famílias, mas aceitam que os pais das
famílias sejam despedidos sem justa causa. Dizem-se preocupados com as
famílias e querem natalidade, mas também assumem que um jovem pode
entrar agora no mercado de trabalho com 18 anos e nunca ter um contrato
efetivo até sair para a reforma. Portanto, a preocupação com as famílias
ficou à porta”, afirmou o sindicalista. Para
a CGTP-IN/Açores, é preciso substituir o pacote laboral por duas coisas
concretas: “O tratamento mais favorável ao trabalhador e o fim da
caducidade dos contratos coletivos de trabalho”.“Estas
duas medidas poderão permitir o diálogo social e algum equilíbrio
social. A reposição de alguma injustiça, porque, já hoje, a lei laboral
em Portugal é das mais desfavoráveis ao trabalhador”, defendeu o
sindicalista.Rui Teixeira salientou ainda
que o salário mínimo regional “não chega para as despesas, está a menos
de metade daquilo que é uma renda moderada”, situação que também
preocupa os sindicatos. Por isso,
acrescentou, dada a atual situação do panorama laboral nos Açores, “a
alternativa a viver na região passa pela emigração”.“Não
é assim que se fixam trabalhadores cá. Numa altura em que se fala que
há falta de mão-de-obra, não são estes mecanismos [propícios] para fixar
trabalhadores, muito pelo contrário”, apontou o sindicalista, que
falava na sede da União dos Sindicatos de São Miguel e Santa Maria, em
Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.O
sindicalista referiu que nos contactos com alunos das escolas
secundárias açorianas, a resposta obtida é que a solução para o seu
futuro “passa pela emigração”.“Um número
crescente de jovens não considera como possível, para aquilo que são as
suas aspirações e os seus projetos de vida, perante o cenário, ficar na
região. Portanto, consideram só a hipótese de emigrar. E este já é um
fluxo que se sente hoje, mas que só se vai agravar no futuro, se não
alteramos esta lógica”, afirmou.Perante o
cenário verificado na região, a comissão coordenadora da CGTP-IN/Açores,
que esteve hoje reunida, exigiu a valorização dos trabalhadores e
considerou “preocupante a vontade do Governo da República de impor um
retrocesso civilizacional, com um pacote laboral com mais de 100 medidas
contrárias aos trabalhadores e que servem, exclusivamente, o interesse
das grandes empresas”.“A grave situação
social e a desvalorização dos trabalhadores exige a continuação das
ações de luta dos trabalhadores”, defendeu.Segundo
a estrutura intersindical, a greve geral marcada para o dia 11 de
dezembro constituirá, também nos Açores, “uma enorme demonstração de
unidade, de determinação e de luta com o pacote laboral e por um futuro
melhor”.