Prémio Nobel da Química 2020 atribuído a cientistas que criaram método de edição do genoma
7 de out. de 2020, 12:28
— Lusa/AO Online
Este método de
engenharia genética permite "reescrever o código da vida", afirmou o
secretário-geral da Academia, Goran Hansson, na cerimónia de anúncio do
prémio, em Estocolmo.A francesa Emmanuelle
Charpentier, da unidade de Ciência Patogénica do Instituto Max Planck,
na Alemanha, e a norte-americana Jennifer Doudna, do Instituto de
Medicina Howard Hughes, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, são
responsáveis pela criação da ferramenta química CRISPR-Cas9, que permite
fazer cortes em partes seletas das sequências de DNA.São
"as mais pequenas peças que compõem a vida", indicou Pernilla Wittung
Stafshede, membro da Academia Sueca, referindo que a "tesoura genética"
que as duas laureadas criaram em 2012 "já beneficiou grandemente a
Humanidade"."Veio revolucionar as ciências da vida. Podemos facilmente editar os genomas como desejado", referiu.Todos
os seres vivos têm triliões de células nas quais existem cadeias de
DNA, o material genético. Esse material, que existe em todas as células,
é composto de milhões de bases que levam as células a produzir as
proteínas responsáveis pelos processos biológicos nos seres vivos.O
que o método CRISPR Cas9 permite é cortar as sequências em determinadas
zonas, o que permite corrigir sequências, alterando a sua influência, o
que já tem sido usado "na criação de plantas ou no tratamento de
doenças dos humanos".Pernilla Stafshede
salientou que é uma ferramenta que necessita de "grande cuidado" na
utilização, mas declarou que tem grande potencial e "talvez permita, um
dia, realizar o sonho de curar as doenças genéticas".Falando
via telefone na conferência de imprensa a seguir ao anúncio do prémio,
Emmanuelle Charpentier, recordou que começou a carreira a fazer edição
genética em bactérias mas sempre ambicionou que um dia se chegasse a um
ferramenta geral de edição do genoma.Afirmou
que desde que publicou os estudos sobre o CRISPR Cas9 lhe disseram,
"até mais vezes do que queria ouvir", que um dia ganharia um Nobel mas
que "quando uma pessoa ouve isso, não faz realmente a ligação consigo"."Hoje,
quando Goran Hansson me telefonou, fiquei muito emocionada. Foi muito
surpreendente, ainda não sinto que seja real", admitiu.Questionada
sobre se o facto de o Nobel ser atribuído a duas mulheres tem algum
significado especial, afirmou pensar em si "principalmente como
cientista"."Talvez passe uma mensagem às
raparigas que gostariam de seguir o caminho da ciência que uma mulher
também pode ter impacto na investigação e ganhar prémios. A falta de
interesse na ciência é uma coisa preocupante", disse.