Preços dos medicamentos mais baratos aumentam 5% para evitar ruturas
18 de jan. de 2023, 11:06
— Lusa/AO Online
“Os medicamentos com
preço de venda ao público (PVP) até 10 euros têm o preço atualizado em
5% e aqueles com preços entre 10 e 15 euros serão atualizados em 2%”,
adianta o Ministério da Saúde (MS) em comunicado, explicando que esta
atualização decorre à margem do processo habitual de Revisão Anual de
Preços. Já os medicamentos com preço acima
de 15 euros terão o seu preço revisto por comparação com a média dos
quatro países de referência (Espanha, França, Itália e Eslovénia),
refere, explicando que, neste caso, e sempre que o preço esteja acima da
média, ocorrerá a sua redução até ao máximo de 5%.“Este
aumento administrativo de preços visa promover o acesso ao medicamento
em Portugal, contribuindo a médio prazo para menores encargos para o SNS
e para os portugueses, ao preservar a sustentabilidade dos produtos
mais baratos no mercado, nomeadamente genéricos”, salienta o MS. A
revisão de preços, que além de facilitar o acesso a medicamentos mais
baratos, “protege as pessoas do efeito da inflação”, faz parte de um
conjunto de medidas que o Ministério da Saúde vai avançar no primeiro
semestre deste ano.O objetivo, salienta, é
“facilitar o acesso aos medicamentos e evitar situações de rutura,
respondendo às preocupações manifestadas pelos utentes, profissionais de
saúde e setor e procurando garantir as melhores condições de acesso,
bem como a confiança da parte dos cidadãos em relação ao circuito do
medicamento”.“Considerando o volume de
medicamentos vendidos em Portugal no ano de 2022, estas medidas, a
aplicar durante os 10 meses que decorrem até ao fim do ano, podem gerar
um aumento da despesa por parte do Estado em cerca de 0,4% e por parte
dos cidadãos, em termos globais, de cerca de 0,5%, muito abaixo dos
valores da inflação”, sustenta. Adicionalmente
serão desenvolvidos de imediato dois novos mecanismos de proteção das
pessoas, designadamente a criação de uma lista de medicamentos
essenciais, críticos, cuja disponibilidade será monitorizada de forma
particular e em relação aos quais serão tomadas medidas específicas que
podem incluir a revisão excecional de preço.“A
definição do conceito de medicamento de custo excessivo, por referência
ao aumento do volume de vendas e da quota de mercado, que conduzirá à
redução do respetivo preço ainda durante o ano de 2023” é outro
mecanismo desenvolvido pelo Governo.O
ministério afirma que os problemas na produção e distribuição de
medicamentos têm afetado de forma transversal os países europeus, com
reporte público de situações de indisponibilidade de fármacos,
correspondentes a casos em que se torna mais difícil acomodar os efeitos
da inflação e em que existe o risco de estes produtos serem retirados
do mercado. “Apesar de, na esmagadora
maioria das vezes, existirem medicamentos equivalentes que podem ser
dispensados aos doentes, esta situação pode causar transtorno aos
doentes e aos profissionais de saúde, que importa acautelar”, com a
atualização de preço, tendo em conta as propostas dos vários parceiros
do setor.A lista de medicamentos cuja
exportação se encontra limitada ou suspensa será igualmente objeto de
atualização regular, incluindo, neste momento, 110 apresentações.O
ministério adianta que ao longo de 2023 vai continuar a criar condições
para a promoção da prescrição e dispensa de medicamentos genéricos,
biossimilares e das opções terapêuticas mais efetivas, ao mesmo tempo
que vai generalizar a dispensa de medicamentos em proximidade. “Haverá,
também, um reforço do sistema de combate à rutura de medicamentos, no
âmbito do Infarmed, em articulação com a Agência Europeia de
Medicamentos, e promovendo a colaboração dos fabricantes nacionais e do
Laboratório Nacional do Medicamento.Em
2023, pretende-se ainda dar continuidade às medidas de otimização da
prescrição eletrónica e da utilização do medicamento e dos dispositivos
médicos, criando condições para introduzir a inovação de forma
sustentável, acrescenta.