Preços altos são virtuosos para destino crescer gerindo pressão turística
4 de mar. de 2024, 15:37
— Lusa
"Os
preços altos não são em si mesmo um problema nem uma má notícia, podem
ser uma virtude e uma boa notícia até, certamente têm é um desafio
acoplado", considerou Pedro Costa Ferreira à Lusa, quando questionado
por eventuais danos no crescimento do setor dada a contínua subida que
os valores praticados no turismo têm registado.O
responsável reforça até que "preços altos, desde que estejam
acompanhados de boas taxas de ocupação é tudo o que se quer em Portugal"
e em "todos os aspetos mais óbvios", porque se "se quer crescer gerindo
a pressão turística, tem que se crescer com mais receita por turista".Agora - reforça Pedro Costa Ferreira - "evidentemente" há desafios em paralelo a prazo e aponta dois consequentes. "O
desafio é que temos que manter qualidade de acordo com os preços que
estamos a praticar, se não mantemos ou não a criamos nalguns casos
podemos não gerar consistência nesta subida de preços", disse,
acrescentando que para já este aspeto "tem acontecido", o que o leva a
considerar que, para já, "os preços altos têm sido virtuosos".No
entanto, depois, o "principal desafio" para "a consistência e
manutenção de qualidade" é "entre outros, certamente, o desafio da mão
de obra: o desafio da obtenção de mão de obra e o desafio da
qualificação da mão de obra existente", explica.Fruto
da conjuntura - que nos últimos anos tem sido de taxas de inflação
altas -, o setor do turismo, nas suas várias atividades tem vindo a
registar sucessivos aumentos de preços, que se fazem notar, por exemplo,
na venda de pacotes turísticos. No caso
da hotelaria, segundo dados da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP)
divulgados em 22 de fevereiro, a taxa de ocupação nos alojamentos
turísticos subiu para 68% em 2023, mais sete pontos percentuais do que
em 2022, com o preço médio por quarto a aumentar para 141 euros.À
Lusa, o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) também
defende que é preciso afastar a perspetiva de que os preços de
alojamento turísticos estão proibitivos para a maioria dos portugueses,
já que há oferta de qualidade para todos os rendimentos. "Felizmente,
e quem acompanha o setor há muitos anos sabe, que em qualquer lugar
deste país hoje já se dorme e come com grande qualidade e para um nível
de preços muito, muito alargado. E é uma evidência, não é para responder
rapidamente a um tema", disse Bernardo Trindade à Lusa."Nós
fomos confrontados com uma situação de, digamos, um acréscimo
substancial da despesa [eletricidade e gás, serviços prestados, bens
alimentares…] e para mantermos estabelecimentos abertos, para podermos
pagar os nossos contributos, nomeadamente em primeiro lugar para poder
pagar melhores salários, para responder aos encargos que temos com o
Estado, designadamente em termos de impostos e taxas, para, no fundo,
poder responder a toda a gama de despesa tivemos que, de forma muito
madura, ter preços mais elevados", explicou à Lusa o O presidente da
AHP.Por outro lado, apontou a necessidade
da "qualificação permanente que uma unidade hoteleira exige para se
manter atual", lembrando que "isso carece de investimento" que só é
possível concretizar "uma vez, tendo no fundo, verbas ou gerando verbas"
que o permitam.Assim, quando confrontado
com a perspetiva de se estar a evoluir para um nível de preços que
afastará os portugueses de fazerem férias em Portugal, de contribuírem
para o desempenho turístico - como tem vindo a acontecer, o presidente
da AHP defendeu também que o país "tem hoje uma oferta de alojamento de
uma gama muito diversificada, que permite responder aos bolsos dos
portugueses em função um bocadinho do seu rendimento disponível".