Pré-aviso de greve às horas suplementares apresentado na SATA Air Açores
Hoje 16:35
— Lusa/AO Online
Numa carta
enviada à administração da SATA e a vários departamentos do Governo
dos Açores, a que a agência Lusa teve acesso, o
Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) e o
Sindicato Nacional Dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) criticam a
privatização do ‘handling’ (serviço de assistência em escala) da SATA
Air Açores (responsável pelos voos interilhas).Aqueles
dois sindicatos emitiram um aviso prévio de greve a “todo o trabalho
suplementar em dia útil, dia de descanso complementar e dia de descanso
semanal, a fazer pelos trabalhadores da SATA Air Açores, a vigorar por
tempo indeterminado na empresa SATA Air Açores, a partir das 00h00 do
dia 24 de março de 2026”.No documento
conjunto, o SITAVA e o SINTAC lamentam que “todas as reservas
demonstradas pelos sindicatos sobre o processo de cisão e alienação do
serviço de assistência em escala” da SATA Air Açores tenham sido
“ignoradas” pelo Governo Regional e pela administração do grupo.“Esta
opção prejudicará o futuro do transporte aéreo na Região Autónoma dos
Açores, por deixar frágil, quer a SATA Air Açores, quer a nova empresa
de ‘handling’, bem como o povo açoriano”, defendem.Os
sindicatos dizem “não ter outro recurso senão a luta pela defesa dos
direitos dos trabalhadores”, já que, argumentam, os direitos dos
funcionários “não estão acautelados” naquele processo de privatização.“O
histórico deste tipo de operações demonstra claramente que esta decisão
não trará nada de positivo e apenas criará precariedade e instabilidade
operacional”, criticam.A 19 de
fevereiro, o coordenador da Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores
manifestou “profunda preocupação” com a privatização de 100% do
‘handling’, alertando ser um "risco estrutural" com implicações para
trabalhadores e "todos os açorianos".Naquele
mesmo dia, ouvido na comissão de Economia da Assembleia Regional, o
presidente da SATA, Tiago Santos, considerou que a privatização do
‘handling’ da empresa “não é uma decisão tomada de ânimo leve”, mas sim
um “compromisso da SATA e dos Governos da República e dos Açores perante
a Comissão Europeia, como contrapartida para que o auxílio do Estado
pudesse ser atribuído”, o que “salvou o grupo SATA em 2022”.A 28 de janeiro, a administração da SATA revelou aos trabalhadores que
prevê formalizar em março a separação do ‘handling’ com a criação de uma
nova empresa e iniciar o processo de privatização daquele serviço.Em
junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa
para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de
euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).