Prazo para pedido de extradição de João Rendeiro prorrogado até 20 de janeiro
30 de dez. de 2021, 17:43
— Lusa/AO online
A
informação foi avançada hoje à Lusa por Natasha Ramkisson, porta-voz da
National Prosecuting Authority (NPA), o Ministério Público da África do
Sul, na sequência do final do primeiro prazo de 18 dias para a
formalização do pedido de extradição, contabilizado desde a detenção do
ex-banqueiro em Durban no passado dia 11. “A
NPA tinha informado o tribunal e concordado com as autoridades
portuguesas que tinham 40 dias para apresentar o pedido. Iremos ao
tribunal no dia 10 de janeiro para fornecer ao tribunal uma atualização
da situação sobre o assunto”, declarou, aludindo à primeira sessão sobre
o processo de extradição do ex-banqueiro, que ficou marcada na agenda
do tribunal de Verulam para aquela data.A Lusa questionou o Ministério Público português mas não obteve resposta. O
antigo líder do BPP está em prisão preventiva no estabelecimento
prisional de Westville, face à decisão tomada no passado dia 17 pelo
juiz sul-africano Rajesh Parshotam, depois de ter passado as primeiras
noites após a sua detenção numa esquadra da polícia a poucos quilómetros
do hotel Forest Manor Boutique Guesthouse, no qual foi detido.Entretanto,
a advogada sul-africana de João Rendeiro, June Marks, disse à Lusa que o
recurso da medida de coação imposta ao ex-presidente do BPP está muito
perto de dar entrada no tribunal. “Ainda estamos a finalizar o recurso”,
referiu.João
Rendeiro estava fugido à justiça há três meses e as autoridades
portuguesas reclamam agora a sua extradição para cumprir pena em
Portugal. Sobre o antigo presidente do BPP recaem três mandados de
detenção internacional, sendo que a Procuradoria-Geral da República está
a trabalhar na formalização do pedido de extradição.O
ex-banqueiro foi condenado em três processos distintos relacionados com
o colapso do BPP, tendo o tribunal dado como provado que retirou do
banco 13,61 milhões de euros. Das três condenações, apenas uma já
transitou em julgado e não admite mais recursos, com João Rendeiro a ter
de cumprir uma pena de prisão efetiva de cinco anos e oito meses.O colapso do BPP, em 2010, lesou milhares de clientes e causou perdas de centenas de milhões de euros ao Estado.