Praia da Vitória ensina crianças na preparação de plano familiar e ‘kit’ de emergência

Hoje 10:05 — Lusa/AO Online

A primeira sessão da iniciativa, que vai prolongar-se até ao final do ano letivo, decorreu na Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância da Agualva e abrangeu três turmas.A presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, que participou no arranque do projeto, referiu que a iniciativa vai abranger todas as escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, creches e Centros de Atividades de Tempos Livres do concelho, para promoção de uma “real cultura de proteção civil” na comunidade.A autarca adiantou à agência Lusa que os alunos aprendem a preparar um plano familiar e um ‘kit’ de emergência, são informados sobre procedimentos de segurança e formas de reagir em situações de acidentes graves ou catástrofe. No âmbito do projeto, este município da ilha Terceira, nos Açores, entrega a cada estabelecimento educativo um ‘kit’ de emergência.“No fundo, nós conseguimos passar a mensagem de que as questões da segurança podem acontecer de várias formas e os cuidados, os sistemas de alerta, têm que estar muito presentes na forma e no dia-a-dia que estas crianças levam nas suas atividades diárias”, disse Vânia Ferreira.O projeto tem como parceiros o programa de Saúde Escolar da Unidade de Saúde da Ilha Terceira, o serviço de pediatria do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) e o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA).A atividade tem três fases. O Serviço Municipal de Proteção Civil “passa a mensagem em termos de uma situação sísmica, o alerta para quais os cuidados e quais os impedimentos relativamente a uma situação dessas, alerta para o cumprimento de todas as regras e a constituição do ‘kit’ [de emergência]”.“Depois é fornecido também um panfleto a todas as crianças para que possam levar para casa mediante o projeto que está a ser desenvolvido, para que possam transmitir aos pais e possam ser eles a colaborar na constituição de um ‘kit’ de emergência para poder estar na sua casa. Mas perceberem que fizeram, desenvolveram, esse trabalho na escola e que foi entregue um ‘kit’ na escola, dá-lhes o entusiasmo de, obviamente, depois aplicarem aqueles que são os seus conhecimentos”, relatou.No plano da saúde escolar, foi pedido a cada criança que levasse um “amiguinho” - um boneco -, e que “fizesse a exposição de qual o problema de saúde que esse amiguinho teria, […] para que pudessem introduzir a temática do cuidado da vacinação, até mesmo do tratamento das feridas, para desmistificar um pouco os medos que estão associados a situações que, muitas vezes, levam as crianças aos hospitais ou a algum tipo de tratamento que tenham de carecer”, explicou Vânia Ferreira.Já o serviço de pediatria do HSEIT, segundo a autarca, “também desenvolveu uma história muito interessante relativamente a algumas situações que já ocorreram, passando um vídeo para que as crianças pudessem visualizar a importância de conseguirem ser o auxílio muitas vezes dos adultos - como uma situação que tivemos oportunidade de ter conhecimento através da televisão e que ganhou um grande mediatismo, um menino que socorreu a mãe -, estarem preparados para digitarem o 112 e chamarem auxílio”.“Portanto, houve uma série de indicadores que nos permitiu presenciar que em cada um destes momentos, destes três momentos, [...] todas as crianças se disponibilizaram e se envolveram para aprenderem um pouco e conseguirem simular algumas das situações que lhes foram propostas”, admitiu.A presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória disse acreditar que as crianças irão incentivar muitos adultos, que muitas vezes desvalorizam certas situações da proteção civil, e que a preparação do plano familiar e do ‘kit’ de emergência pode vir a ser um trabalho “muito frutuoso em cada seio familiar”.Ainda de acordo com a autarca, para além das questões da sismicidade na ilha Terceira, existem outras situações como as de catástrofe perante as alterações climáticas que justificam a realização da iniciativa hoje iniciada nas escolas do concelho.“Acreditamos que a forma como estas crianças vão passar esta mensagem vai ser altamente facilitadora. E, para nós, os projetos de sensibilização fazem todo o sentido porque acreditamos que é na prevenção que está o começo de tudo e, portanto, este investimento do município é realmente nesse sentido [de] começarmos pela prevenção”, concluiu.