PR turco acusa países árabes de traição por estarem em silêncio sobre plano de paz dos EUA
31 de jan. de 2020, 11:50
— Lusa/AO Online
"Os países
árabes que apoiam esse plano cometem traição contra Jerusalém, assim
como contra o seu próprio povo e, o que é mais importante, toda a
humanidade", disse Erdogan num discurso aos dirigentes do Partido da
Justiça e Desenvolvimento (AKP), em Ancara."A
Arábia Saudita está silenciosa. Quando a sua voz será ouvida? Omã,
Bahrain, a mesma coisa. O Governo de Abu Dhabi aplaude. Que vergonha!
Que vergonha!", disse Erdogan. O
Presidente turco, um firme defensor da causa palestiniana, disse na
quarta-feira que o plano, que apresenta Jerusalém como a "capital
indivisível de Israel", é "absolutamente inaceitável"."A
Turquia não reconhece e não aceita esse plano que aniquila a Palestina”
e coloca Jerusalém sob controlo dos israelitas”, afirmou. "Jerusalém é a nossa linha vermelha", acrescentou.A
cidade de Jerusalém é um ponto de atrito nas relações entre a Turquia e
os Estados Unidos, já muito tensa em muitas questões internacionais.Os
líderes turcos criticaram fortemente a iniciativa do Presidente
(norte-americano, Donald) Trump, que em 2017 reconheceu Jerusalém como a
capital do Estado de Israel e mudou a embaixada dos Estados Unidos para
aquela cidade.Os meios de comunicação
turcos mais próximos do Governo atacam regularmente certos países
árabes, principalmente a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que
acusa de ter abordado Israel contra um cenário de hostilidade comum ao
Irão.As relações da Turquia com esses dois
países acabou por se deteriorar após o assassínio em 2018 do jornalista
saudita Jamal Khashoggi dentro da embaixada saudita, em Istambul.Apesar das tensões, Erdogan raramente atacava a Arábia Saudita.