PR timorense pede “celeridade e integridade” para resolver problema com Timor Resources
2 de mar. de 2023, 12:59
— Lusa/AO Online
“Peço que vejam
esta questão com extrema celeridade, e com total integridade, sem
favoritismo”, afirmou José Ramos-Horta, em declarações à Lusa.“Preocupa-me
que não havendo uma solução urgente e justa isso vá descredibilizar
Timor-Leste como destino para investidores. Timor-Leste já tem uma
cotação muito baixa, a nível internacional, no que toca ao ambiente de
negócios. Com este caso vai ser muito mais difícil e pode até tornar
difícil as negociações sobre o projeto do Greater Sunrise e trazer o
gasoduto para Timor-Leste”, considerou o chefe de Estado.O
Presidente da República reagia à noticia avançada hoje pela Lusa de que
a empresa Timor Resources, envolvida na exploração de vários poços no
interior sul do país, vai processar a petrolífera Timor GAP, parceira no
projeto, por falta de pagamento da sua contribuição financeira, segundo
fontes da empresa.“Advogados da Timor
Resources reuniram-se esta semana com advogados em Timor-Leste e o
projeto vai parar quando a perfuração teste se concluir, enquanto o
operador legalmente processa a Timor GAP pelo não-pagamento da sua
contribuição, contratualmente exigida”, disse fonte oficial da empresa à
Lusa.Em causa, segundo a mesma fonte,
está o pagamento em atraso de 11 milhões de dólares (10,33 milhões de
euros) correspondente ao que a Timor Resources diz serem obrigações
contratuais de injeção financeira da Timor GAP, parceira a 50% no
consórcio do projeto.“A Timor GAP não fez o
pagamento referente aos anos civis de 2022 e 2023 e estão agora em
risco de perder a sua participação no projeto”, explicou.A Lusa tentou, sem sucesso, obter declarações da Timor GAP.Ramos-Horta
explicou que Timor-Leste já tem outras questões pendentes com empresas,
destacando entre elas o “caso bicudo” com a operadora de
telecomunicações Telemor, do Vietname.“Um
país importante na região, um velho apoiante da luta de Timor-Leste no
passado, com maior crescimento económico na Ásia, uma empresa muito
credível, prestando valiosos serviços ao país”, afirmou.“E o que é que a nossa justiça faz: detém o representante e retira-lhe o passaporte há dois anos”, disse.Ramos-Horta
referia-se à detenção, em novembro de 2020, e posteriormente aplicação
de prisão preventiva, para o responsável da Telemor e da empresa Elite
Computers no país, acusado dos crimes de burla fiscal, fraude
informática e branqueamento de capitais no âmbito de uma investigação
sobre conexões ilegais de internet que duravam há vários anos.A
medida de coação foi alterada em janeiro de 2021 pelo Tribunal de
Recurso, que ordenou a saída de prisão preventiva dos responsáveis da
operadora Telemor e da empresa de telecomunicações Elite Computers.Os
arguidos ficaram com termo de identidade e residência (TIR) e
obrigatoriedade de comparências periódicas, não sendo conhecidos
quaisquer desenvolvidos do caso deste então, que ainda não chegou ao
tribunal.O processo legal contra a Timor
GAP ocorre numa altura em que a Timor Resources informou a Lusa que
deverá concluir nos próximos dias a perfuração até aos 3.100 metros do
poço mais profundo em terra em Timor-Leste, conhecido como Lafaek-1, e
cuja perfuração chegou já aos 3.060 metros.A
empresa vai avançar depois para os testes de perfuração da coluna
(Drill stem test - DST) que vão ajudar a definir os recursos de petróleo
e gás disponíveis que a operadora antecipa serem “muito bons, devido à
elevada pressão registada no poço”.O
Lafaek-1 é a terceira perfuração da Timor Resources na zona nos últimos
12 meses com os dados das primeiras duas a revelarem a existência de
petróleo a vários níveis.“O potencial
permanece muito alto relativamente a uma descoberta significativa na
estrutura do Lafaek, com pressões de hidrocarbonetos superiores a
8000psi, indicativo de potencial de uma reserva recuperável
significativa”, refere, em comunicado enviado à Lusa.O
processo judicial traduz uma disputa que se arrasta há vários anos e em
que, segundo documentos a que a Lusa teve acesso, a TR acusa a Timor
GAP de não querer resolver o assunto ou sequer reconhecer que a disputa
existe.Os documentos indicam que a disputa
existe desde 2019, tendo a TR apresentado uma notificação de disputa
formal, no quadro do acordo do consórcio, em agosto de 2021.Apesar
da disputa, a TR tem continuado o projeto de exploração, o primeiro em
terra nos últimos 50 anos, com um investimento de 64 milhões de dólares
(60,1 milhões de euros) desde 2017.A Timor
Resources não avançou até agora para um eventual processo de
arbitragem, considerando que o processo poderia condicionar a capacidade
de a empresa angariar financiamento.O
processo de arbitragem, que se pode alargar no tempo, poderia
representar custos elevados com “efeitos drásticos” e a eventual
suspensão da exploração em curso, pelo menos até uma decisão, sustenta a
TR.Um processo deste tipo, nota-se ainda
nos documentos, poderia igualmente “causar danos à reputação quer da
Timor Resources, quer do Estado timorense” contribuindo “para limitar
ainda mais a capacidade de Timor-Leste atrair investidores no futuro”.