PR recebe e agradece trabalho da comissão que estudou abusos sexuais na Igreja Católica
14 de fev. de 2023, 07:03
— Lusa/AO Online
"O
Presidente da República louvou e agradeceu o notável trabalho realizado
pela Comissão Independente, que se traduz num contributo da maior
relevância para a tomada de consciência desta grave realidade, que
existiu e existe, a punição dos responsáveis e, sobretudo, o
reconhecimento da insuportável dor das vítimas", refere uma nota
colocada no sítio oficial da Presidência na Internet.Marcelo
Rebelo de Sousa recebeu a comissão no Palácio de Belém, "que lhe
entregou cópia do relatório apresentado esta manhã na Fundação Calouste
Gulbenkian".Antes da leitura do relatório,
o chefe de Estado ouviu da parte dos responsáveis da comissão "chamadas
de atenção" para algumas das conclusões, das quais destacou "a
dimensão, muito superior à inicialmente estimada, bem como a elevada
incidência dos abusos não só psicológicos, como físicos, e a sua
permanência até aos dias de hoje".Por
outro lado, "a exigência de apoio psicológico continuado, presente e
futuro, às vítimas, como dever ético da sociedade e da Igreja Católica".Em
terceiro lugar, "a urgência de uma sociedade que denuncie e não admita
tais comportamentos, venham de onde vierem, e que a qualidade dos
abusadores só agrava", mas também "a imperiosidade da Igreja Católica,
que promoveu a constituição da Comissão Independente e que já assumiu a
sua responsabilidade, definir uma orientação para o futuro, prevenindo e
impedindo a repetição de tais abusos e encobrimentos".Por
último, daquilo que ouviu, Marcelo destaca "a ponderação de alterações
legislativas que conduzam a uma mais célere investigação e atuação
judicial, permitindo reforçar a prevenção e punição de uma intolerável
violação dos direitos das pessoas e do Estado de Direito em Portugal".A
Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na
Igreja Católica recebeu 512 testemunhos validados relativos a 4.815
vítimas desde que iniciou funções em janeiro de 2022, anunciou hoje o
coordenador Pedro Strecht, referindo ainda que foram enviados para o
Ministério Público 25 casos.Os casos de
abusos sexuais revelados ao longo de 2022 abalaram a Igreja e a própria
sociedade portuguesa, à imagem do que tinha ocorrido com iniciativas
similares em outros países, com alegados casos de encobrimento pela
hierarquia religiosa a motivarem pedidos de desculpa, num ano em que a
Igreja se vê agora envolvida também em controvérsia, com a organização
da Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa.