PR partilha condenação e lembra comunidade ucraniana em Portugal
Ucrânia
22 de fev. de 2022, 11:35
— Lusa/AO Online
“Como a União
Europeia já o disse, e o Governo português, através do senhor
primeiro-ministro, a posição portuguesa é muito clara: o reconhecimento
da soberania das duas regiões separatistas da Ucrânia representa uma
violação clara dos Acordos de Minsk e põe em causa a integridade
territorial da Ucrânia”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, à chegada a
Haia, Holanda.Escusando-se a desviar-se
daquela que é “a posição de Portugal, que é a posição da União
Europeia”, e designadamente a comentar possíveis cenários, o chefe de
Estado disse ainda assim “ter presente os muitos ucranianos e as muitas
ucranianas que vivem em Portugal e, naturalmente, dizer a umas e a
outros que acompanho, e acompanhamos, autoridades portuguesas - e no
caso português com uma comunidade que é maior do que outras comunidades
noutros países da UE -, aquilo que naturalmente sentirão”.Questionado
sobre que mensagem deixaria aos portugueses que se encontram na
Ucrânia, respondeu que “tudo aquilo que há a comunicar aos portugueses,
tem sido comunicado pelo Governo português, nomeadamente pelo Ministério
dos Negócios Estrangeiros”.Marcelo Rebelo
de Sousa acrescentou que “Portugal acompanha exatamente aquilo que se
vai passando quanto aos seus compatriotas residentes ou que se encontram
na Ucrânia, como tem presente no seu espírito – todas as autoridades
portuguesas – a comunidade ucraniana, que é grande, que é importante no
nosso país, com uma dimensão superior àquela que porventura existe
noutros países da UE”.Apesar de diversas
questões colocadas pela imprensa, designadamente sobre sanções a
Moscovo, o Presidente da República considerou “prematuro falar do
amanhã”, repetindo por diversas vezes que o importante é expressar
aquela que é a posição de Portugal e da UE.“[É]
aquilo que foi acordado dentro da União Europeia e que foi expresso, um
a um, pelos responsáveis de cada Estado, no caso do primeiro-ministro
[António Costa], por mensagem escrita, que eu retomo também em pormenor -
porque é a posição do Estado português - acabado de chegar a Haia, onde
amanhã serei recebido, porque já estava marcado, por sua majestade o
Rei, mas entendo que neste momento não há mais nada a acrescentar”,
declarou.Na noite de segunda-feira, o
primeiro-ministro, António Costa, já condenara “veementemente” o
reconhecimento russo de duas regiões controladas por separatistas em
território ucraniano e manifestou “total solidariedade” com a Ucrânia.Esta posição foi transmitida por António Costa numa mensagem que publicou na sua conta na rede social Twitter.“O
reconhecimento russo das duas regiões separatistas da Ucrânia viola
claramente os acordos de Minsk e põe em causa a integridade territorial
da Ucrânia. Condenamos veementemente esta ação e manifestamos total
solidariedade para com a Ucrânia”, escreveu o líder do executivo
português.Antes desta posição por parte de
António Costa, a União Europeia (UE) condenou a “grave violação” do
direito internacional no reconhecimento por parte do Presidente russo,
Vladimir Putin, da independência dos territórios separatistas
pró-Rússia, garantindo uma resposta ocidental “com unidade e firmeza”.“O
reconhecimento dos dois territórios separatistas na Ucrânia é uma
violação flagrante do direito internacional, da integridade territorial
da Ucrânia e dos acordos de Minsk”, reagiram os presidentes do Conselho
Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.O
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a mobilização do Exército
russo para “manutenção da paz” nos territórios separatistas pró-russos
no leste da Ucrânia, que reconheceu como independentes.Putin
assinou dois decretos que pedem ao Ministério da Defesa que “as Forças
Armadas da Rússia [assumam] as funções de manutenção da paz no
território” das “repúblicas populares” de Donetsk e Lugansk, segundo
noticia a agência France Presse (AFP).Os
decretos assinados pelo chefe de Estado russo também estabelecem
consultas entre Moscovo e as repúblicas agora reconhecidas para o
estabelecimento de relações diplomáticas e entram em vigor a partir do
momento da sua publicação, refere o texto do Kremlin (presidência
russa).O Ocidente e a Rússia vivem
atualmente um momento de forte tensão, com o regime de Moscovo a ser
acusado de concentrar pelo menos 150.000 soldados nas fronteiras da
Ucrânia, numa aparente preparação para uma potencial invasão do país
vizinho.Moscovo desmente qualquer intenção bélica e afirma ter retirado parte do contingente da zona.Nos
últimos dias, o clima de tensão agravou-se ainda mais perante o aumento
dos confrontos entre o exército da Ucrânia e os separatistas pró-russos
no leste do país, na região do Donbass, onde a guerra entre estas duas
fações se prolonga desde 2014.