PR nega que fé católica tenha influência na sua avaliação dos casos de abusos sexuais na Igreja
12 de out. de 2022, 12:38
— Lusa/AO Online
Questionado pela RTP3,
Marcelo Rebelo de Sousa explicou que se a fé católica tivesse influência
no seu comportamento ou na avaliação que faz dos casos, não teria
assinado "uma denúncia de ação ao mais importante dos bispos
portugueses".A 06 de setembro, o
Presidente da República enviou à Procuradoria-Geral da República uma
denúncia envolvendo, nomeadamente, o bispo José Ornelas. "Depois
dessa data, a Presidência da República foi contactada por vários Órgãos
de Comunicação Social, para confirmar tal envio, o que naturalmente
confirmou. A 24 de setembro, o Presidente da República confirmou a D.
José Ornelas esse envio, já depois de este ter sido contactado pela
Comunicação Social sobre este assunto", segundo uma nota publicada no
'site' da Presidência da República.À
televisão pública, Marcelo Rebelo de Sousa garantiu não se sentir
incomodado com as críticas dos partidos políticos sobre a mais recente
polémica, surgida hoje, depois de o Presidente afirmar não estar
surpreendido com as 424 queixas de abusos sexuais contra crianças na
Igreja Católica e considerar que não é um número "particularmente
elevado" comparado com "milhares de casos" noutros países.“Não
sinto [incómodo]. A democracia é isso. Só sente incómodo quem é ditador
ou quem quer uma ditadura. (…) A democracia é aceitar as críticas”,
sublinhou. Lembrando que não foi a
primeira vez que falou sobre o número de testemunhos de abusos sexuais
na Igreja portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que lhe parece
“curto” para aquilo que pensa ter sido o "fenómeno" em Portugal.“Não
é uma desvalorização. É precisamente eu achar que, infelizmente, as
minhas expectativas eram muito superiores. Ainda bem que ficou em 424
casos, mas é curto para já, curto para a expectativa e para o universo
de pessoas que contactaram com isso”, sustentou.O
Presidente da República afirmou que o número de casos de abusos de
menores validado pela Comissão Independente “não parece particularmente
elevado face à provável triste realidade”, admitindo números “muito
superiores” no país. Numa nota publicada
no ‘site’ da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que tomou
conhecimento da validação de 424 testemunhos de abusos sexuais na Igreja
em Portugal, anunciada pela Igreja Católica, e afirmou esperar que
“os casos possam ser rapidamente traduzidos em Justiça”.O Presidente da República já tinha comentado o número de
testemunhos validado pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos
Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, com
afirmações que suscitaram críticas de vários quadrantes políticos,
nomeadamente do BE, IL, Chega, PAN e Livre.Marcelo
Rebelo de Sousa tinha afirmado não estar surpreendido com as 424
queixas de abusos sexuais contra crianças na Igreja Católica e
considerou que não é um número "particularmente elevado" comparado com
"milhares de casos" noutros países."Significa
que estamos perante um universo de pessoas que se relacionou com a
Igreja Católica de milhões ou muitas centenas de milhares", acrescentou o
Presidente da República, concluindo: "Haver 400 casos não me parece que
seja particularmente elevado, porque noutros países e com horizontes
mais pequenos houve milhares de casos", tinha afirmado Marcelo Rebelo de
Sousa, Na rede social Twitter, o líder parlamentar do BE começou por
considerar “um insulto às mais de 400 vítimas” as “miseráveis
declarações” do Presidente da República sobre este número de queixas de
abusos sexuais na Igreja, defendendo que não esteve “à altura” do cargo.Já
a Iniciativa Liberal, através da sua página oficial, lamentou
“profundamente o comportamento do Presidente da República no caso dos
abusos sexuais de menores no seio da Igreja”, considerando que Marcelo
Rebelo de Sousa procurou "relativizar" a gravidade do comportamento de
vários elementos da Igreja Católica.Também
através do Twitter a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, afirmou que “um
caso que fosse era grave, muito grave e repudiável, quanto mais 400!”.