PR explica que desde o início tem dúvidas sobre mecanismo anticorrupção ligado ao Governo
17 de abr. de 2025, 10:25
— Lusa/AO Online
Marcelo Rebelo de Sousa falava no
Centro Cultural de Belém, em Lisboa, em resposta aos jornalistas, que o
questionaram sobre a mensagem que divulgou a anunciar que promulgou
o decreto-lei que altera a orgânica do Mecanismo Nacional Anticorrupção
"apesar das dúvidas que ainda suscita"."As
dúvidas eu explico quais são: vêm desde que foi criado, não foi neste
Governo [PSD/CDS-PP], foi no Governo anterior [do PS]", começou por
responder o chefe de Estado.O Presidente
da República referiu que "havia uma entidade ligada ao Tribunal de
Contas" – o Conselho de Prevenção da Corrupção – "que foi substituída
por uma entidade ligada ao Governo".Marcelo
Rebelo de Sousa afirmou que "desde o início" manifestou "dúvidas de que
funcionasse muito bem um mecanismo de combate à corrupção que
dependesse do poder executivo"."Tinha
dúvidas, e o que é facto é que [o Mecanismo Nacional Anticorrupção] já
foi criado há muito tempo, ainda demorou muito tempo a começar a
produzir efeitos", prosseguiu.Na sua
opinião, "é um bocado difícil" este mecanismo funcionar, por "quem vai
controlar, no fundo, nascer sob a alçada daquele ou daqueles que vão ser
controlados"."Pode ser que dê certo, mas normalmente não é fácil", acrescentou.Nestas
declarações aos jornalistas, interrogado sobre a atual administração
norte-americana de Donald Trump, o chefe de Estado reiterou que "não é
surpresa" para quem, como é o seu caso, acompanhou "de perto" o seu
primeiro mandato como Presidente.Donald
Trump "já era o que é, não tinha era maioria que tem" e "já era claro
que havia uma ideia de pôr em causa a ordem internacional como ela
existiu do ponto de vista político e do ponto de vista económico",
disse.Marcelo Rebelo de Sousa descreveu o
Presidente norte-americano como alguém com "uma visão de intervenção
muito nacionalista, hipernacionalista, antimultilateralista" no plano
político, "com um diálogo entre Estados Unidos da América e a Federação
Russa", e no plano económico "protecionista, unilateralista", com um
estilo "de jogador de paradas altas", mas que "quando conhece
dificuldades recua"."Isto pode ser muito
bom para alguns ganharem muito, pode ser muito bom para em certo
momento a economia americana ter vantagens, mas, tudo somado, tem riscos
enormes para o mundo, para a estabilidade económica internacional e
para os próprios Estados Unidos da América", considerou.No seu entender, Trump, "para já, ainda está na fase de só ver as vantagens".O
Presidente da República esteve no Centro Cultural de Belém a assistir à
apresentação da série documental "Rumo à Liberdade", que elogiou e pela
qual deu os parabéns a António Barreto e à RTP.