PR diz que Igreja tem "dever ético" de se responsabilizar por abusos
14 de fev. de 2023, 11:58
— Lusa/AO Online
"Que a
Igreja tem um dever ético de responder, isto é, de se responsabilizar e
que ontem foi assumido, é assim. Que esse dever ético abrange o apoio
psicológico, continua a ser muito importante para muitas as vítimas anos
e anos e anos depois, não há dúvidas. Que em vários países houve
indemnização, também se sabe, portanto vamos esperar pela posição da
Igreja", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, após questionado sobre se
deverá haver lugar a indemnizações para as vítimas.O
Presidente da República falava aos jornalistas no Palácio de Belém, em
Lisboa, no final de mais uma edição da iniciativa "Músicos no Palácio de
Belém" e depois de na segunda-feira ter sido conhecido o relatório da
comissão independente que estudou os abusos sexuais na Igreja Católica, e
que aponta para quase cinco mil vítimas, no mínimo.Marcelo
Rebelo de Sousa considerou que o número "ultrapassou aquilo que tinha
pensado de início e provavelmente ultrapassou aquilo que os portugueses
todos pensavam quando se arrancou com a comissão"."Este
número é bem superior ao número anterior [mais de 400 casos] e, para o
tempo em que trabalhou a comissão, como alguns dos membros reconheceram,
significa que pode ainda ser uma parte do fenómeno e não todo o
fenómeno, que continua presente na sociedade portuguesa", afirmou.O
chefe de Estado defendeu também que "a Igreja como instituição tem de
repensar a sua atuação no futuro, porque em muitos casos não teve a
noção, noutros casos teve a noção mas subavaliou, achou que era um
fenómeno isolado ou que era um fenómeno que não tinha a gravidade que
tinha, noutros fenómenos ainda demorou muito tempo a reagir, noutros
fenómenos ainda está a querer compreender aquilo que se passou"."Nos
países em que a resposta foi mais clara, mais determinada e mais rápida
o efeito foi um, naqueles em que não foi assim o efeito foi outro, e
era preferível que fosse o primeiro o caminho em Portugal.Marcelo apontou que essa é "uma reflexão que a Igreja terá de fazer". "Tem
marcada uma Conferência Episcopal para o começo de março, eu acho que
quanto mais rápido for e mais claro for, melhor", salientou.