PR desequilibrou negociação com privados na saúde “contra interesse público”
Presidenciais
11 de jan. de 2021, 13:15
— Lusa/AO Online
Numa visita
ao centro de saúde Algueirão-Mem Martins (concelho de Sintra), que
marcou o arranque da sua campanha no período oficial, a antiga
eurodeputada socialista foi questionada se defende que o Governo já
deveria ter avançado para a requisição civil na saúde de meios privados,
sobretudo numa altura de agravamento da pandemia de covid-19.“Suponho
que o Governo está a tentar chegar a um entendimento e tem tido
pressões nesse sentido, também da parte do próprio Presidente da
República, que deu palco aos privados, enfraquecendo o Governo e a
ministra da Saúde, quando ela precisava de ser reforçada para poder
negociar o entendimento com os privados para defender o interesse
público”, afirmou.Ana Gomes considerou que não será qualquer “enviesamento ideológico” que está a atrasar esse acordo do lado do Governo.“Há
uma pressão que foi favorável aos privados por parte do Presidente da
República e que desequilibrou a negociação contra o interesse publico.
Espero que o Governo tendo tentado todas as alternativas, se necessário
for recorra à requisição civil”, apelou.A
antiga dirigente socialista defendeu que, em momento de emergência, será
necessário usar “toda a capacidade hospitalar instalada”, mas acusou os
privados de apenas quererem acolher os doentes não-covid, “que são os
que dão lucro”“Se os privados continuarem a
não querer, através de um entendimento que o Governo tem tentado,
aceitar tratar todos os doentes, então o Governo deve fazer uso da
requisição civil e pagar aos privados, mas a preço justo e não aos
preços do lucro”, defendeu.A candidata,
que teve hoje a sua primeira ação presencial no período de campanha
oficial depois de no domingo ter anulado todas as iniciativas previstas,
escolheu o centro de saúde Algueirão-Mem Martins - ainda em obras e com
inauguração prevista para 25 de abril - para esse arranque.“É
um grande projeto da vereação socialista [Ana Gomes foi candidata
autárquica derrotada em Sintra em 2009], finalmente concretiza-se para
servir uma população de cerca de 70 mil pessoas, na maior freguesia do
país, Algueirão Mem-Martins”, explicou.Para
a candidata, esta unidade terá a vantagem de juntar cuidados primários e
cuidados integrados e permitirá tratar pessoas que têm “alta hospitalar
e precisam de continuar a ter cuidados médicos”.“É
um exemplo do que o país precisa: a boa articulação entre a rede
hospitalar, a rede de cuidados primários e de cuidados integrados”,
afirmou.Já no dia 18 de janeiro, será
inaugurada no local uma unidade de cuidados respiratórios que permitirá
dar resposta a alguns doentes com covid-19, de acordo com um vereador
presente.A visita ao local das obras
decorreu com menos de vinte pessoas, sendo a grande maioria jornalistas,
com a candidata sempre de máscara, incluindo quando fez declarações à
comunicação social.A outra iniciativa de
campanha prevista para hoje, também na área da saúde, será ao final da
tarde, mas através das plataformas digitais para debater com estudantes
de Medicina.