PR de Cabo Verde pede transformação da dívida em investimentos climáticos
COP27
8 de nov. de 2022, 12:43
— Lusa/AO Online
“Para
uma governação climática efetiva, o país está a contar com o apoio dos
principais parceiros de desenvolvimento e espera poder aceder mais
facilmente aos fundos estabelecidos para o efeito. Para os países SIDS,
como Cabo Verde, é vital que possam ter acesso aos financiamentos
globais”, afirmou o chefe de Estado, José Maria Neves, ao intervir hoje
no segundo dia na 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações
Climáticas (COP27), que decorre em Sharm el-Sheikh, no Egito.De
acordo com José Maria Neves, para a implementação da Contribuição
Nacionalmente Determinada (NDC), Cabo Verde precisa mobilizar cerca de
2.000 milhões de euros “nos próximos dez anos”. “É
neste contexto que deixo aqui um apelo no sentido de a comunidade
internacional considerar a possibilidade de transformar a dívida dos
SIDS em investimentos climáticos na educação, na saúde e no combate à
pobreza e às desigualdades”, afirmou.O
Acordo de Paris, em vigor desde 2016, visa alcançar a descarbonização
das economias mundiais e estabelece, como um dos seus objetivos de longo
prazo, o limite do aumento da temperatura média global a níveis abaixo
dos 2 graus centígrados acima dos níveis pré-industriais. Determina
ainda que se prossigam esforços para limitar o aumento da temperatura a
1,5 graus centígrados, reconhecendo que isso reduzirá significativamente
os riscos e impactos das alterações climáticas. Para
tal, o Acordo de Paris exige que as partes envidem os seus melhores
esforços de mitigação através da NDC e que reforcem progressivamente
esses esforços, a cada nova submissão das suas contribuições.De
acordo com José Maria Neves, “Cabo Verde não se tem poupado a esforços
no sentido de minimizar os impactos das mudanças climáticas por meio de
ações planeadas e concertadas”, como a redução das emissões de gases de
efeito de estufa, já diminutas, “em até 35% até 2030, implicando maior
penetração de energias renováveis e circulação de baixo carbono mediante
a introdução de incentivos para veículos elétricos, principalmente no
setor dos transportes públicos”.Contudo,
recordou, “Cabo Verde pouco ou nada contribui para o aquecimento global,
mas devido às suas vulnerabilidades, muito tem sofrido com as
consequências deste fenómeno que chega a pôr em risco anos de progressos
na caminhada rumo ao desenvolvimento sustentável do país”.“Infelizmente,
são cada vez mais frequentes e longas as secas que assolam o
arquipélago, registando-se, também, um agravamento da intrusão salina e
deterioração das águas subterrâneas, degradação dos solos e perda da
biodiversidade, entre outros”, apontou. Acrescentou
que a pandemia de covid-19 e a crise energética, associadas às
alterações climáticas, “agravaram sobremaneira os constrangimentos e as
vulnerabilidades estruturais” de Cabo Verde e que “o agravamento da
dívida pública e a degradação dos indicadores sociais constituem enormes
desafios para o alcance das metas preconizadas nos planos nacionais e
fixadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da agenda
2030 das Nações Unidas”.De acordo com
dados do Ministério das Finanças, o ‘stock’ da dívida pública de Cabo
Verde chegou no final de agosto aos 298.022 milhões de escudos (2.723
milhões de euros), um novo valor máximo absoluto, tendo o Governo
defendido publicamente nos últimos meses a possibilidade de conversão
parcial em investimentos climáticos por parte dos credores, como
Portugal.