PR considera que "saldo é positivo" apesar de problemas de comunicação
Apagão
2 de mai. de 2025, 17:43
— Lusa/AO Online
"Eu admito que é um daqueles casos em que o
Governo tem razão quando diz: olhem, apesar de tudo aquilo que
aconteceu, e em que houve realidades e fragilidades que ficaram visíveis
e que nós não imaginávamos, apesar disso tudo, não há dúvidas que o
saldo é positivo. Têm razão as oposições quando dizem: mas para o futuro
convém que se fosse melhor", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos
jornalistas, no concelho de Odivelas, distrito de Lisboa."Agora,
que houve problemas também de comunicação houve. O próprio Governo
reconheceu que o SIRESP conheceu, uma vez mais, momentos de não
funcionamento. Foi patente para muitos portugueses que não receberam os
SMS da Proteção Civil tão depressa quanto desejável. Eu até hoje não
recebi nenhum", apontou o Presidente da República, que tinha ao seu lado
a ministra da Administração Interna, Margarida Blasco.O
chefe de Estado falava aos jornalistas depois de inaugurar a
requalificação do Núcleo Museológico do Posto de Comando do Movimento
das Forças Armadas (MFA), na Pontinha, e começou por justificar o seu
silêncio desde o corte de energia elétrica que afetou Portugal
continental na segunda-feira.Referindo que
"houve quem tivesse estranhado que o Presidente não tivesse intervindo
mais cedo", Marcelo Rebelo de Sousa argumentou que se absteve de
intervir enquanto a Proteção Civil atuava seguindo as recomendações
feitas na sequência dos incêndios de 2017, e também tendo em conta que o
país está em período de campanha eleitoral.Depois,
assinalou a iniciativa do primeiro-ministro, Luís Montenegro, de
constituir uma comissão técnica independente sobre este apagão, "que foi
aceite por todos os partidos, apenas com divergências quanto ao
momento". Na sua opinião, essa comissão vai permitir "aprender muito" e
faz sentido "esperar pelas conclusões" antes de comentar o que
aconteceu.Perante as perguntas da
comunicação social, Marcelo Rebelo de Sousa elencou os acontecimentos de
segunda-feira e explicou deste modo a ideia de que "correu bem" a
gestão do apagão: "Quando se diz que correu bem, diz-se que não houve
mortes, não houve danos pessoais que poderiam ter acontecido, pelo menos
até agora, detetados como relacionados com. Que o tempo foi longo, mas
muito longo, mas foi menos longo do que o país vizinho"."E que perante uma situação nova, se encontrou a melhor solução possível para lidar com ela", completou. O
Presidente da República comparou esta situação ao que "aconteceu nos
incêndios, em que o Governo foi apanhado de surpresa por uma realidade
nunca verificada".O chefe de Estado
relatou que o Palácio de Belém "funcionou com gerador", com "o reatar do
funcionamento normal perto das onze da noite" de segunda-feira, e que
ao longo do dia esteve "permanentemente em relação com o Governo", em
contacto direto com o primeiro-ministro. "Portanto,
eu ia percebendo os problemas. O primeiro problema que apareceu era
contactar com os espanhóis, e perceber o que se passava em Espanha.
Demorou tempo", disse.Segundo o
Presidente, "o plano do Governo ficou definido muito cedo, com uma ideia
de intervenção das unidades de saúde, o saber exatamente a que tipo de
abastecimento combustível se podia recorrer, inclusive das próprias
petrolíferas, onde é que havia em bombas de gasolina geradores".Quanto
à comunicação com a população, no seu entender, as opções "são
discutíveis, por exemplo: comunicar ou não pela rádio, comunicar o
Governo ou comunicar a Proteção civil mais cedo, se é mais cedo ou se é
mais tarde".Marcelo Rebelo de Sousa
realçou, no entanto, que se tratou de "uma situação completamente nova" e
que "o presidente do Governo espanhol só falou às cinco da tarde pela
primeira vez".