PR compara 424 queixas de abusos na Igreja em Portugal com "milhares de casos" noutros países
11 de out. de 2022, 17:59
— Lusa/AO Online
Questionado
pelos jornalistas, nos jardins do Palácio de Belém, em Lisboa, sobre
este número de testemunhos divulgado pela designada Comissão
Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na
Igreja Católica Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Não me
surpreende".O chefe de Estado disse que
tem a acompanhado o trabalho desta comissão e salientou que "não há
limite de tempo para estas queixas" que têm estado a ser recolhidas,
algumas "de pessoas com 90 anos, 80 anos e que fazem denúncias
relativamente ao que sofreram há 60 ou há 70 ou há 80 anos"."Significa
que estamos perante um universo de pessoas que se relacionou com a
Igreja Católica de milhões ou muitas centenas de milhares", acrescentou o
Presidente da República, concluindo: "Haver 400 casos não me parece que
seja particularmente elevado, porque noutros países e com horizontes
mais pequenos houve milhares de casos".Segundo
Pedro Strecht, coordenador da Comissão Independente para o Estudo dos
Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, houve
até agora "424 testemunhos recolhidos", mas "o número mínimo de vítimas
será muitíssimo maior do que as quatro centenas e os abusos compreendem
todas as formas descritas na lei portuguesa"."A maior parte das situações encontra-se juridicamente prescrita", adiantou o pedopsiquiatra.O
Presidente da República disse que tem "acompanhado desde o início a
atividade" desta estrutura constituída por decisão da Conferência
Episcopal Portuguesa, que recebeu "há talvez um mês".A
comissão coordenada por Pedro Strecht "está a preparar o relatório
final que vai apresentar dentro de dias ou dentro de pouco tempo",
adiantou Marcelo Rebelo de Sousa.