PPM responsabiliza Governo Regional por falta de refeições escolares no Corvo
10 de out. de 2017, 14:27
— LUSA/AO online
“Os alunos da ilha do
Corvo são os únicos da região a quem não são ministradas refeições
escolares devido à postura abertamente discriminatória – e odiosa – do
secretário Regional da Educação e Cultura”, declarou Paulo Estevão, em
conferência de imprensa realizada em Ponta Delgada, na ilha de São
Miguel. Para o também líder do PPM nos Açores, o Governo Regional
“pratica abertamente, e sem qualquer escrúpulo moral, uma discriminação
ignóbil em relação às crianças do Corvo”.“Existe alguma razão
plausível para que estas não possam beneficiar de um apoio previsto para
todos? É aceitável que o Governo vista a pele de carrasco para
discriminar certas crianças nos Açores apenas por viverem na ilha
errada? Por viverem numa ilha a quem o Governo dos Açores reconhece
menos direitos?”Em setembro, no parlamento dos Açores, o deputado
do PPM anunciou, na apresentação de um projeto de resolução, uma
campanha pela construção de um refeitório na escola básica e secundária
do Corvo, medida que reivindica há vários anos.Em julho, também
no parlamento regional, o titular da pasta da Educação reiterou que os
alunos do Corvo deverão ter acesso a refeições preparadas e servidas
pela Misericórdia local “no início do próximo ano letivo”.Paulo
Estevão recorda que avançou com uma proposta, na legislatura anterior,
de construção de uma cozinha e refeitório escolar na Escola Básica e
Secundária Mouzinho da Silveira que permitiria servir refeições aos
cerca de 70 membros que compõem a comunidade escolar do Corvo, afirmando
que esta foi inviabilizada para que o executivo açoriano “ganhasse
tempo”.O parlamentar referiu que teve segunda-feira conhecimento
que o estabelecimento de ensino remeteu convites, com o respetivo
caderno de encargos, a cinco empresas e instituições da ilha e do
exterior, incluindo a Santa Casa da Misericórdia do Corvo, não tendo
nenhuma manifestado o “menor interesse”.“Nesta questão, o Governo
Regional, de uma forma calculista e moralmente infame, só quis ganhar
tempo, um tempo que significa, para os alunos do Corvo, mais um ano
escolar sem refeições”, afirmou.Paulo Estevão admite recorrer a
“medidas drásticas” que passam por uma “luta cívica” e recurso a várias
figuras nacionais, entre as quais o Presidente da República, podendo
ainda recorrer para a Justiça.Em declarações à agência Lusa, em
São Jorge, ilha onde o Governo Regional se encontra em visita oficial, o
secretário Regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses, remeteu
explicações sobre esta matéria para a próxima semana.