PPM quer parlamento dos Açores a pressionar Governo para solucionar serviços do Estado no Corvo
24 de out. de 2017, 15:47
— Lusa/AO online
Em
causa está o funcionamento da Conservatória do Registo Civil, Predial e
Cartório Notarial do município do Corvo, encerrados "há mais de um mês
devido a motivos de doença da única funcionária que assegura
presentemente o serviço", refere o deputado único do PPM na Assembleia
Legislativa Regional, Paulo Estêvão, num documento enviado à Lusa na
sequência de uma conferência de imprensa naquela ilha. "A inércia
e o desleixo de quem tutela o serviço é tanta que a mesma não foi
substituída ao longo de todo este tempo", acusa o parlamentar do PPM,
considerando que "esta situação prejudica gravemente a população da ilha
do Corvo que está assim impedida de proceder a um grande conjunto de
atos legais, alguns dos quais de caráter inadiável". A este
propósito aponta a "realização de escrituras, pedidos de certidões de
diversa índole, certidões de óbito, registo automóvel e comercial,
reconhecimento de assinaturas e um sem número de outros documentos e
atos legais". "Tenha-se ainda em conta que a única funcionária
permanente da Conservatório do Registo Civil, Predial e Cartório
Notarial do município do Corvo não está autorizada a realizar
testamentos públicos", nota Paulo Estêvão. Para o deputado, "esta
questão é de tal forma sensível que, em situações urgentes, o Código
Civil prevê que os mesmos possam ser realizados a bordo de navios ou de
aeronaves". "De tudo isto resulta que até os passageiros de
aviões e navios têm este direito legal assegurado, algo que o Estado não
assegura e garante, como é sua obrigação legal, aos 459 habitantes da
ilha do Corvo", acrescenta. Segundo o deputado, "a origem do
problema está nas sucessivas mobilidades que são concedidas à única
funcionária que exerce as funções" na Conservatória do Registo Civil,
Predial e Cartório Notarial do Município do Corvo, questionando "que
sentido faz conceder sucessivas mobilidades a esta funcionária, deixando
o serviço da ilha do Corvo desguarnecido". "Existindo apenas um
lugar do quadro para exercer as funções de conservador na Conservatória
do Registo Civil, Predial e Cartório Notarial do município do Corvo é
óbvio que tal mobilidade não deve ser concedida, a menos que prevaleça o
interesse da funcionária em causa, em detrimento do serviço às
populações", adianta, reiterando que esta situação "afeta gravemente o
serviço prestado às populações e as funções do Estado no concelho do
Corvo". À Lusa, Paulo Estêvão considerou não haver "quer da parte
do Estado, quer da parte da região, uma proteção dos direitos da
população do Corvo, na medida em que autorizam funcionários que não têm
substituição na ilha a ausentarem-se de forma prolongada, não
assegurando os serviços que deveriam estar a ser prestados". "Por
parte do Estado, há uma desproteção das populações em detrimento dos
interesses particulares dos funcionários", referiu ainda.