PPM faz queixa em instâncias europeias sobre alterações à lei eleitoral dos Açores
21 de ago. de 2020, 13:28
— Lusa/AO Online
Segundo o deputado monárquico na Assembleia
Regional, Paulo Estêvão, a decisão vai “contra as recomendações” do
Conselho da Europa, pelo que o partido irá “entregar uma queixa formal”
àquele organismo e à Comissão de Veneza.“Toda
a decisão tomada vai contra as recomendações do Conselho da Europa, que
recomenda que não se realizem eleições, alterando a lei eleitoral, com
menos um ano de antecedência. E aqui estamos a falar a dois meses das
eleições”, declarou Paulo Estêvão à agência Lusa.O
Presidente da República promulgou hoje as alterações à Lei Eleitoral da
Assembleia Legislativa dos Açores, entre as quais o voto antecipado em
mobilidade, apesar de considerar "inconveniente" mudanças a dois meses
das regionais.“Não é só inconveniente. O
que o Conselho da Europa diz é que têm de estar reunidas as condições
que garantam a total transparência do ato e não estão reunidas as
condições, nem pouco mais ou menos”, acrescentou Estêvão.O
deputado regional salientou que esta “não é uma alteração qualquer”,
uma vez que “exclui 40 mil eleitores açorianos em relação à votação para
a Assembleia da República”, porque o voto antecipado para as eleições
regionais “apenas” contempla o “território nacional”.Estêvão
referiu que a Lei Eleitoral agora promulgada não cria “mecanismos de
segurança” porque irão existir partidos e “entidades ligadas ao Governo”
que “vão ter acesso aos votantes de forma antecipada”.O
monárquico realçou ainda a posição da Comissão Nacional de Eleições
(CNE), que salientou que existirá uma “grande parte da população” que
não ficará informada sobre o processo eleitoral a “apenas dois meses das
eleições”.“Há um conjunto enorme de aspetos que não garantem uma votação transparente”, concluiu Paulo Estêvão.O
relatório da CNE sobre a nova Lei Eleitoral dos Açores, a que a Lusa
teve acesso, foi aprovado por unanimidade, mas evocou “reservas” face à
“alteração de leis eleitorais no ano que antecede a realização o início
do processo eleitoral”.A CNE aponta também
que com a alteração “sai reforçada a discriminação negativa dos
cidadãos de menores recursos e maiores dificuldades no acesso à
informação”.Na quinta-feira, o Presidente
da República anunciou que a decisão de promulgar ou não a alteração à
lei eleitoral dos Açores seria tomada hoje, dado haver um partido que
suscita dúvidas em relação ao diploma, disse, referindo-se ao PPM.O
diploma, com origem no parlamento dos Açores, foi aprovado na
Assembleia da República em 23 de julho, com a abstenção do PCP, CDS-PP,
PEV, Iniciativa Liberal e Chega, os votos favoráveis das restantes
bancadas e das duas deputadas não inscritas, e o voto contra de um
deputado do PSD.Os eleitores passam a
poder exercer o seu direito de voto de forma antecipada por mobilidade,
algo que até agora era permitido apenas nas eleições presidenciais,
legislativas nacionais e europeias.A
Comissão de Veneza é um órgão consultivo sobre questões constitucionais
do Conselho da Europa, a mais antiga instituição europeia em
funcionamento.