PPM diz que "está instalado o caos" na deslocação de doentes nos Açores
1 de abr. de 2019, 12:19
— Lusa/AO Online
“A marcação das viagens dos doentes é
realizada com muito pouco tempo de antecedência. Chega a ser na véspera,
mesmo as que dizem respeito a cirurgias. Nestas condições não é
possível, em muitos casos, confirmar as deslocações devido à
indisponibilidade de lugares nas ligações aéreas asseguradas pela SATA.
Tudo tenderá a agravar-se com o início do verão”, afirmou o deputado
único do PPM na Assembleia Legislativa dos Açores.Paulo
Estevão falava numa conferência de imprensa, em Ponta Delgada, na qual
disse estar "a dar voz" a "um grande conjunto de denúncias e queixas",
tendo em conta "informação dos próprios funcionários que trabalham nas
diversas unidades de saúde e que tinham como função, anteriormente,
marcar estas deslocações", mas "agora essa função é realizada em
coordenação com os hospitais", o que "não está a funcionar".O
deputado lembrou a portaria de 02 de agosto que aprovou o novo
regulamento geral de deslocações do Serviço Regional de Saúde, que
“tinha como pedra angular” a criação do Gestor do Utente, "uma entidade
hospitalar que tem por função agilizar as deslocações dos utentes do
Serviço Regional de Saúde, estabelecendo-se como interlocutor entre o
hospital e as unidades de saúde de origem", alegando que aquela figura
"só existe ainda na Terceira".“O Gestor do
Utente Deslocado não foi criado no Hospital do Divino Espírito Santo
(em Ponta Delgada) e também no Hospital da Horta (no Faial)”, apontou o
deputado, referindo que "as situações são mais graves" em relação aos
doentes que se deslocam das "Flores, do Corvo e do Pico" para a maior
unidade de saúde dos Açores, localizada em São Miguel.Paulo
Estêvão apontou “casos documentados de utentes avisados com apenas dois
dias de antecedência no âmbito da realização de cirurgias”.“Tenho
casos documentados de doentes deslocados, que uma vez chegados ao
hospital não têm consulta marcada. Tenho casos documentados de doentes
deslocados que aguardam semanas entre a realização de consultas e
exames, sem que exista a menor tentativa de coordenar e agilizar a
realização dos respetivos atos de forma mais eficiente e menos onerosa
para os utentes e para o Serviço Regional de Saúde”, acrescentou.O
parlamentar açoriano adiantou que "em São Jorge e na Graciosa o
problema já não se coloca", uma vez que, segundo informação que recebeu,
"o Gestor do Utente já foi criado no Hospital da Terceira".“Não
se trata de casos isolados. Pelo contrário, a regra no processo de
deslocação de doentes é exatamente a falta de planificação e a marcação
precipitada das deslocações de doentes. Existem casos, muitos casos, em
que não sendo possível realizar-se a deslocação de doentes por falta de
lugares na SATA, as consultas e até as próprias cirurgias são
desmarcadas. Os doentes têm, nestas situações, de aguardar a remarcação
das mesmas durante mais alguns meses”, disse. O
deputado considera ser “urgente” que o Governo Regional crie o serviço
de coordenação previsto para o funcionamento eficaz do sistema: o Gestor
do Utente Deslocado.Para o parlamentar,
“a questão fundamental nem sequer é a crónica falta de recursos afetos
ao Serviço Regional de Saúde", mas a "incompetência do Governo
Regional", que "não consegue montar um serviço eficaz de coordenação das
deslocações de doentes entre os hospitais e os centros de saúde", que o
executivo "sinalizou como imprescindível na legislação que criou".