PPM diz que coligação de direita tem melhores condições para governar
Açores/Eleições
6 de nov. de 2020, 15:07
— Lusa/AO Online
“Confirmámos
a constituição de uma coligação governamental com o PSD e o CDS-PP para
a próxima legislatura, que é uma solução que tem mais votos e mais
deputados que o Partido Socialista. Consideramos que, neste momento,
temos melhores condições do que o Partido Socialista para constituir
governo e que deve ser nomeado o dr. José Manuel Bolieiro [líder do
PSD/Açores]”, avançou Paulo Estêvão, em declarações aos jornalistas.O
líder regional do PPM falava à saída de uma audiência com o
representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Pedro
Catarino, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.Pedro
Catarino já tinha ouvido antes o porta-voz do PAN/Açores e o líder
regional do Iniciativa Liberal, estando previstas para hoje ainda
audiências com os representantes de BE, Chega e CDS-PP.No sábado, receberá os representantes dos dois partidos mais votados, PSD e PS.O
Partido Socialista venceu as eleições legislativas regionais dos
Açores, no dia 25 de outubro, mas perdeu a maioria absoluta, que detinha
há 20 anos, elegendo apenas 25 deputados.O PSD foi a segunda força política mais votada, com 21 deputados, seguindo-se o CDS-PP com três.Chega, BE e PPM elegeram dois deputados e Iniciativa Liberal e PAN um cada.PSD,
CDS-PP e PPM, que juntos têm 26 deputados, já anunciaram um acordo de
governação, mas necessitam de 29 deputados para alcançar uma maioria
absoluta.O Chega anunciou hoje que “vai
viabilizar o governo de direita nos Açores”, após ter chegado a um
acordo com o PSD em “vários assuntos fundamentais” para a Região
Autónoma e para o país.O PAN reiterou que
não viabilizará uma solução governativa na região que envolva o Chega,
mas o Iniciativa Liberal admitiu vir a fazer um acordo de incidência
parlamentar com a coligação de direita, caso sejam aceites as
reivindicações do partido.Paulo Estêvão
não quis revelar pormenores sobre as negociações que ainda decorrem com
outros partidos, mas questionado sobre se estava confiante num apoio
parlamentar que permita à coligação de direita governar com estabilidade
respondeu afirmativamente.“Queremos
garantir que se forma um governo e que esse governo tem condições para
ser estável. É um governo que põe termo a uma hegemonia do Partido
Socialista de 24 anos. Interpretamos que a população votou
maioritariamente na mudança, que quer a mudança e consideramos que essa
mudança é essencial para alterar políticas, que estavam com grande
insucesso”, frisou.Questionado sobre
declarações de dirigentes do Chega que apontavam para um possível chumbo
da solução governativa de direita, nos últimos dias, o líder regional
do PPM disse que o que importa é a mensagem que será transmitida hoje
pelo partido ao representante da República.“Em
todos os processos negociais todos os partidos marcam as suas posições e
tentam conquistar as suas posições no âmbito das negociações. O que é
importante é que há um momento para isso e depois há um momento da
definição e este é o momento da definição”, frisou.Sobre
o Chega, disse ainda que só teve “contacto” com “os dirigentes
regionais” do partido, nas negociações, que decorreram nos últimos dias.Já
as negociações com PSD e CDS-PP, para formação da coligação de governo,
foram “muito fáceis”, segundo Paulo Estêvão, porque os três partidos
têm “um relacionamento político muito próximo de décadas”.De
acordo com o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos
Açores, cabe ao representante da República nomear o presidente do
Governo Regional "tendo em conta os resultados das eleições", mas só
depois de ouvir os partidos políticos representados no parlamento.A
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores integra 57
deputados e terá pela primeira vez oito forças políticas representadas.A
instalação da Assembleia Legislativa está marcada para o dia 16 de
novembro. Habitualmente, o Governo Regional toma posse, perante o
Parlamento, no dia seguinte.