PPM denuncia cancelamento de voo para o Corvo por falta de bombeiros no aeródromo
26 de mai. de 2026, 17:51
— Lusa/AO Online
“Numa ilha
ultraperiférica como o Corvo, profundamente dependente de ligações
externas para a mobilidade de pessoas, acesso à saúde, abastecimento,
economia e funcionamento diário da comunidade, um voo cancelado não é um
mero incómodo administrativo. É uma situação com consequências humanas,
sociais, financeiras, económicas e de saúde pública extremamente
graves”, referiu em comunicado o deputado único do PPM açoriano, João
Mendonça.O serviço operacional do
aeródromo do Corvo é assegurado por um consórcio que envolve bombeiros
de corporações de Madalena (Pico), Velas (São Jorge) e Santa Cruz da
Graciosa e é presidido pela Associação Humanitária dos Bombeiros da
Madalena.Contactado pela agência Lusa, o
presidente do consórcio, José António Amaral, esclareceu que a situação
ficou a dever-se ao atraso no regresso de um operacional ao Corvo.“O
que aconteceu foi que existia um bombeiro que tinha ido para o
continente para umas consultas [médicas]. Estava previsto chegar ontem
[segunda-feira] ao Corvo e ontem tinha de sair mesmo um outro elemento
do Corvo para o Pico. Aconteceu que esse bombeiro que vinha do
continente, [porque] o avião atrasou, não apanhou o avião que foi para o
Corvo ontem e o bombeiro que estava lá saiu”, relatou.Assim, hoje, no Corvo, encontravam-se apenas quatro dos cinco elementos da equipa operacional.A
companhia aérea SATA “ainda tentou” junto da ANAC - Autoridade Nacional
da Aviação Civil que o voo fosse autorizado, mas “não conseguiu obter
resposta”, daí que o voo tenha sido cancelado, indicou.Segundo
a nota do PPM, os corvinos “já vivem sujeitos às limitações impostas
pela ultraperiferia, pela dependência logística externa e pelas
condições climatéricas adversas, fatores inevitáveis e impossíveis de
controlar”, mas aquilo que aconteceu hoje “não foi inevitável”.O
PPM salientou que o sucedido não resulta do estado do tempo, nem de
qualquer fenómeno natural imprevisível, mas, alegadamente, de “uma falha
operacional grave, evitável e humana, associada à coordenação e gestão
do serviço aeroportuário”.Com a situação
“ficaram prejudicadas deslocações hospitalares, consultas médicas,
tratamentos e exames”, “ficaram comprometidos compromissos profissionais
e pessoais inadiáveis” e passageiros perderam ligações nacionais e
internacionais.Ainda de acordo com o
partido, “ficou igualmente prejudicado o normal abastecimento da própria
ilha, comprometendo a chegada de mercadorias, encomendas, bens
essenciais e correspondência, afetando diretamente comerciantes,
serviços, empresas e a população em geral”.Num
território já “profundamente condicionado pelas dificuldades de
transporte e pela dependência logística externa”, situações desta
natureza, “agravam ainda mais a fragilidade do quotidiano dos corvinos”.Assim,
o PPM exigiu a “abertura imediata de averiguações” e o “apuramento
integral das responsabilidades operacionais e hierárquicas”.O
partido defendeu ainda que devem existir “consequências imediatas para
os responsáveis”, “medidas corretivas urgentes e permanentes”, a
“avaliação integral dos prejuízos causados” e “garantias públicas de que
uma situação desta natureza nunca mais se repetirá”.O
presidente do consórcio que assegura o serviço operacional do aeródromo
do Corvo adiantou ainda à Lusa que o elemento em falta, que esteve na
origem da situação, já foi num voo para a ilha das Flores e será
transportado ainda hoje num semirrígido para o Corvo, estando “já está
operacional” na quarta-feira.Para que a
situação “invulgar” não se repita, José António Amaral, preconizou que
quando forem formados novos elementos dos bombeiros, “alguém [da
corporação] do Corvo frequentasse essa formação”, pois assim já “não
havia necessidade de deslocações”.