PPM critica “ingerência” de bastonário da Ordem dos Médicos na autonomia dos Açores
24 de ago. de 2021, 18:13
— Lusa/AO online
“O
PPM combaterá qualquer tentativa de ingerência, por parte do
bastonário, no âmbito das competências dos órgãos de governo próprio da
região autónoma dos Açores. A autonomia açoriana não aceita
paternalismos e tutelas”, lê-se em comunicado de imprensa.O
PPM reagia assim às declarações do bastonário da Ordem dos Médicos, que
após uma reunião com o presidente do Governo dos Açores, José Manuel
Bolieiro, na segunda-feira, sublinhou a importância de potenciar o
diálogo entre os clínicos e a administração do Hospital Divino Espírito
Santo (HDES), em Ponta Delgada, na sequência de alegadas divergências.“O
senhor bastonário está a usurpar competências que não lhe cabem e a
incumprir o estatuto da Ordem dos Médicos. Está refém de interesses
particulares, que não coincidem com os interesses gerais dos doentes
açorianos e da esmagadora maioria dos médicos açorianos”, acrescentaram
os monárquicos, que integram o executivo açoriano em coligação com o PSD
e o CDS.O
PPM acusou ainda Miguel Guimarães de violar “claramente” o artigo do
estatuto da Ordem dos Médicos que estabelece que “a Ordem está impedida
de exercer ou de participar em atividades de natureza sindical ou que se
relacionem com a regulação das relações económicas ou profissionais dos
seus membros”.“É
igualmente lamentável que o bastonário assuma, de forma acrítica, os
posicionamentos de um reduzido núcleo de críticos, que têm como objetivo
essencial manter as suas quintas no HDES, mesmo que isso signifique
eternizar a falta de resposta adequada e atempada”, afirmou o partido
que tem dois deputados no parlamento açoriano.Questionado
sobre as críticas do PPM, o bastonário da Ordem dos Médicos pediu aos
partidos para “ajudarem a resolver os problemas” internos no Hospital de
Ponta Delgada.Miguel
Guimarães realçou ainda que a Ordem dos Médicos é “verdadeiramente
independente” e salientou que a sua legitimidade para se pronunciar
sobre a situação daquela unidade de saúde é “total”.“O
bastonário da Ordem dos Médicos para vossa informação é eleito a nível
nacional, tal como é eleito a nível nacional o Presidente da República.
Portanto, é eleito no continente, nos Açores e na Madeira.
Provavelmente, os líderes do PPM não sabem isso, mas era bom que
soubessem”, afirmou em conferência de imprensa realizada em Ponta
Delgada.Na
segunda-feira, o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro,
referiu que o executivo “encara como positiva a auscultação da Ordem
dos Médicos”, realçando que, "quando é possível resolver um problema no
seu início, mais eficaz se torna a intervenção".Em
22 de julho, Bolieiro defendeu ser necessário "trabalhar em
diálogo" para transformar os “desentendimentos de circunstância” entre a
administração e os trabalhadores do Hospital de Ponta Delgada num
“entendimento estrutural”.