PPM/Açores entrega projeto de resolução sobre falta água no Corvo
14 de nov. de 2018, 14:15
— Lusa/AO Online
“Isto
irá permitir que este assunto seja debatido no parlamento regional. Vou
pedir urgência e deverá ser discutida no plenário que se inicia em 15 de
dezembro”, afirmou o deputado, em conferência de imprensa, na delegação
de São Miguel do parlamento açoriano.Paulo
Estêvão lembrou que desde "maio que foi alertada a opinião pública"
para "o colapso no abastecimento público de água à população" da mais
pequena ilha dos Açores e para "o uso agrícola".Os
monárquicos advogam ter alertado "repetidamente, ao longo do último
ano, a Câmara do Corvo, o Governo Regional e a opinião pública para as
"consequências potencialmente devastadoras" do que dizem ser um "acordo
de cavalheiros” existente entre o município e o consórcio Somague-Ediçor
Engenharia, S.A., que “permitiu a esta empresa retirar gratuitamente
milhares de litros diários de água dos reservatórios agrícolas e das
lagoas artificiais" que abastecem a vila e os cidadãos da ilha com cerca
de 450 habitantes.“Fizeram
a captação ao longo de quase todo o verão e as reservas ficaram num
estado de quase rotura. Agora o que sucedeu foi que tem chovido pouco e
não existindo reservas entramos numa situação de pré-rotura de água”,
insistiu hoje o deputado, apontando para “a gestão calamitosa dos
recursos hídricos” que o autarca do Corvo, socialista, realizou. O
parlamentar justifica o projeto de resolução com "a necessidade de
saber por que razão o Governo Regional sabendo da matéria não mandou ser
feita uma fiscalização pela direção regional do Ambiente".Paulo
Estêvão defendeu "um levantamento rigoroso do estado em que se
encontram as reservas de água para abastecimento da população do Corvo e
da lavoura local" e quer saber "qual o plano de contingência que existe
por parte do Governo Regional se, entretanto, as lagoas artificiais que
estão em pré-rotura secarem" e que medidas quanto aos reservatórios
agrícolas.O deputado lembrou que atualmente a população do Corvo é confrontada com "dois períodos de corte de água ao longo do dia".“A
câmara anunciou que procedeu a uma redução do consumo de água durante
14:30 por dia. A população está revoltadíssima porque agora o presidente
da câmara pede bom senso depois de ter cedido milhões de litros
gratuitamente através de um acordo de cavalheiros com a Somague e diz
que fez gestão cuidada dos recursos de água", apontou.O
parlamentar sustentou que o projeto de resolução pretende igualmente
"chamar em sede de comissão as entidades responsáveis por estes diversos
institutos" do executivo da região e "perguntar por que não fizeram
nada ou que medidas estão a implementar"."Isto
permite que o Governo [Regional] se possa mexer e tem que dar
respostas", frisou, adiantando que vai também remeter uma descrição da
situação ao Conselho Regional do Ambiente.Paulo Estêvão disse que "se chover a situação pode melhorar", mas deixou o alerta caso tal não aconteça.