PPM/Açores critica subsídio de mobilidade e pede tarifa simples e sem custos adicionais
Hoje 16:26
— Lusa/AO Online
“O que está
a acontecer com o SSM nos Açores não é apenas um problema técnico, nem
um mero atraso administrativo. É, infelizmente, um exemplo claro de como
uma política pública essencial pode ser transformada numa máquina
burocrática que afasta os cidadãos do direito que a própria lei lhes
reconhece”, disse João Mendonça numa declaração política proferida no
parlamento açoriano, na Horta, ilha do Faial. Segundo
o parlamentar, este mecanismo “existe para garantir a continuidade
territorial do Estado Português e corrigir as desigualdades estruturais
que resultam da insularidade”.No entanto,
referiu que a plataforma digital criada pelo Governo da República para
aceder ao apoio de reembolso das viagens “falha, bloqueia, exige
documentos absurdos e cria obstáculos que simplesmente não existiam”.Dada
a situação atual no acesso ao SSM, que aumentou a burocracia e agravou
as dificuldades, o parlamentar recomenda “a regulamentação urgente de um
mecanismo financeiro de crédito já previsto na lei, permitindo a
implementação de uma tarifa simples, previsível e sem custos adicionais
para os residentes, com a compensação assegurada pelo Estado”.No
debate que se seguiu, o deputado do CDS-PP Pedro Pinto referiu que a
criação da plataforma eletrónica teve um resultado contrário ao
pretendido porque “só veio complicar a vida aos açorianos”.“Impõe-se
rapidamente uma solução para este problema criado pelo Governo da
República. Já é tempo de pagarmos só os 119 euros”, defendeu, indicando
que a Tarifa Açores, que permite aos residentes viajar entre ilhas por
61 euros, valor pago na compra do bilhete, sem necessidade de
reembolsos, é um bom exemplo de uma medida que “facilita a mobilidade e a
vida dos açorianos”.Já Nuno Barata, da
IL, disse que “é preciso manter os dois sistemas de reembolso em
simultâneo (CTT e plataforma), até que a plataforma esteja afinada para
funcionar”.Contudo, considera que um
sistema igual ao da Tarifa Açores “não é benéfico para os Açores” porque
“cria engulhos” à entrada de outras companhias no mercado.Admitindo
que o SSM “piorou” com as alterações introduzidas, o deputado José
Pacheco, do Chega, afirmou que isso mostra que a República “não tem
respeito” pelo arquipélago e que os Açores “não têm peso político”.“Os
açorianos não precisam de esmolas. […] Nós queremos aquilo a que temos
direito, como qualquer cidadão que anda na Carris”, disse.O
parlamentar do BE António Lima afirmou que o Governo Regional e a
coligação que suporta o Governo da República são corresponsáveis pela
“trapalhada” criada no SSM e “por nunca se ter conseguido até hoje que
os açorianos pagassem apenas o valor do bilhete à cabeça”.Pelo
PS, o deputado Carlos Silva observou que a declaração política do PPM
“traduz uma encenação e uma tentativa de disfarçar o incómodo” sobre o
subsídio de mobilidade.Todo o processo
“tem sido um verdadeiro caos e traduz uma falta de firmeza e de
assertividade do Governo Regional dos Açores”, que não tem sabido
defender os interesses da região, frisou.Do lado do PSD, Joaquim Machado reconheceu os problemas.“Há
uma trapalhada nisto? Há sim senhor. A plataforma eletrónica que era
para resolver os problemas burocráticos que nós aqui identificámos,
afinal, acabou por agravar ainda mais”, afirmou.Para
o social-democrata, “nenhum açoriano deve pagar mais na aquisição de
uma viagem para o exterior, do que o valor que está estipulado”, que é
de 119 euros.Da parte do executivo, a
secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta
Cabral, disse que "discutir o subsídio como sendo um problema político
não vai resolver os problemas do subsídio social de mobilidade"."Nós
temos que construir a solução porque, se não formos nós a construir a
solução, dificilmente ela virá de acordo com os interesses dos Açores”,
concluiu.