Posição de Portugal sobre conflitos em Jerusalém "não é equidistante", mas "a favor da paz e dos direitos humanos"
13 de mai. de 2021, 11:09
— Lusa/AO Online
“Portugal
não mudou a sua posição em relação ao conflito na Palestina. (…)
Portugal apoia a solução dos dois Estados, numa única solução capaz de
garantir a coexistência de dois Estados soberanos vivendo pacificamente
lado a lado”, frisou Augusto Santos Silva, na Assembleia da República.O
ministro respondia a uma questão do deputado Bruno Dias (PCP), durante o
debate preparatório do Conselho Europeu de 24 e 25 de maio, sobre a
“posição vergonhosa” do Governo português em relação à violência que se
assiste em Israel e na Palestina.“Sobre as
questões da política externa da UE, o que se nota na agenda desta
reunião do Conselho é um silêncio ensurdecedor sobre o que está a
acontecer na Palestina, a par de uma posição vergonhosa do Governo
português. É que, senhor primeiro-ministro, na Palestina não há um
conflito, há uma ocupação”, apontou o deputado comunista.“Vai
ou não vai haver uma outra posição do Governo português e da
presidência portuguesa da UE que acabe com essa subserviência chocante a
que continuamos a assistir?”, questionou Bruno Dias.Augusto
Santos Silva sublinhou que “a posição de Portugal não é uma posição
equidistante”, mas sim “a favor da paz e dos direitos humanos, qualquer
que seja a etnicidade, qualquer que seja a religião, qualquer que seja a
nacionalidade”.“Portugal condena a
política de colonizações e de ocupação de território por parte de
Israel. Portugal condena todos os excessos e pede e apela à máxima
contenção das partes. Mas Portugal condena também o lançamento de
‘rockets’. Mais de mil ‘rockets’ foram lançados contra populações civis.
Portugal não se esquece disso”, frisou o governante.O
Governo português, acrescentou, “apela a que todas as partes que
defendem a paz, que defendem o diálogo, não se deixem esmagar por
extremismos, que o que querem é limpar da face dessa terra, sagrada para
tantos os moderados, porque só sabem viver da escalada de violência e
provocação”.Augusto Santos Silva
assegurou, aliás, que “todos os atores relevantes na área”, desde
palestinianos, israelitas e jordanos, “respeitam a posição portuguesa”.“Portugal diz tudo isto e é por dizer tudo isto que é respeitado por todas as partes”, frisou.Na
terça-feira, perante o aumento da tensão em Jerusalém Oriental, a zona
palestiniana da cidade ocupada e anexada por Israel, o Ministério dos
Negócios Estrangeiros escreveu na rede social Twitter que Portugal
“acompanha com grande preocupação os recentes desenvolvimentos em Israel
e no território palestiniano ocupado, incluindo Jerusalém Leste”.“Condenamos o lançamento indiscriminado de mísseis a partir da Faixa de Gaza contra civis israelitas”, acrescentou.Esta
posição foi criticada pelo Livre, que considerou as publicações
"lamentáveis”, já que excluem a “referência às vítimas palestinianas”,
instando o Governo a reconhecer “um Estado palestiniano”.Na
segunda-feira, a violência aumentou com o lançamento de 'rockets' da
Faixa de Gaza contra Israel e ataques aéreos israelitas contra este
território palestiniano.De acordo com o
mais recente balanço do Ministério da Saúde em Gaza, desde o pôr-do-sol
de segunda-feira, 65 palestinianos - incluindo 16 crianças e uma mulher -
foram mortos em Gaza, a maioria nos ataques aéreos.Do lado israelita, os 'rockets' disparados a partir de Gaza mataram sete pessoas, entre as quais duas crianças.