Portugueses "fora de situação de maior perigo" mas um quis ficar
Sudão
24 de abr. de 2023, 09:51
— Lusa/AO Online
“Ainda não estão
todos fora do país, mas estão todos fora de situação de maior perigo.
Naturalmente que até estarem todos fora do país e em território
nacional, continuaremos a acompanhar”, adiantou Gomes Cravinho, no
Porto, para participar num fórum empresarial que vai reunir empresários
brasileiros e portugueses, onde estará também o Presidente do Brasil,
Lula da Silva, e o primeiro-ministro, António Costa. O
titular da pasta dos Negócios Estrangeiros esclareceu que há várias
missões de retirada de cidadãos estrangeiros daquele país, nas quais se
inserem os cidadãos portugueses: “Onze portugueses estão já no Djibuti,
com uma missão espanhola veio uma [cidadã portuguesa] que já está em
Madrid, os outros vieram com apoio francês e outros num comboio das
Nações Unidas, outros num comboio internacional, há um conjunto de meios
de retirada que estão agora em curso”, explicou.O
ministro salientou que “até estarem todos fora do país não estão
completamente livres de perigo”, mas que a “expetativa é positiva”.Sobre o cidadão português que quis permanecer no Sudão, o ministro salientou que essa foi uma decisão do próprio.“Estaremos
sempre em contacto com ele, é uma decisão própria, está numa zona onde
não há conflitos e esperamos que tudo corra bem, mas é uma opção
própria”, apontou.Questionado sobre se a
missão de repatriamento dos portugueses no Sudão está a ser coordenada
com a União Europeia, Gomes Cravinho explicou que não: “Não é uma
coordenação da União Europeia, há uma coordenação muito próxima, minha e
da senhora ministra da Defesa com aliados, muito em particular a França
e Espanha”, disse.Quanto à possibilidade de a Força Área Portuguesa participar naquela missão, o ministro não excluiu essa hipótese.“Estamos
a ver se faz sentido enviar um meio da Força Aérea Portuguesa ou se,
pelo contrário, é possível virem com outros aviões de aliados para
sítios mais próximos e aí a força aérea ir buscá-los”, referiu.Desde
15 de abril que se registam violentos combates no Sudão, num conflito
que opõe forças do general Abdel Fattah al-Burhane, líder de facto do
país desde o golpe de Estado de 2021, e um ex-adjunto que se tornou um
rival, o general Mohamed Hamdan Dagalo, que comanda o grupo paramilitar
Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês).O
balanço provisório dos confrontos indica que há mais de 420 mortos e
3.700 feridos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).