24 de abr. de 2025, 16:31
— Paulo Agostinho/Lusa/AO Online
“Eu trago o Papa no
Coração desde sempre, mas fortalecido a partir da Jornada Mundial da
Juventude 2023 e gostaria de trazer os meus catequizandos para terem a
experiência que eu vivi na Jornada Mundial”, afirmou à Lusa Fátima
Lopes, pouco depois de ter estado hora e meia na fila à espera de ver a
urna papal. Fátima Lopes integra um grupo de
duas dezenas de pessoas da paróquia do Olival, Vila Nova de Gaia, que
está em Roma para o Jubileu dos Adolescentes, agendado para os dias 25 a
27 de abril. “Não foi possível ver o Papa
da janela, mas com coração aberto, viemos vê-lo e despedirmo-nos com
uma última homenagem”, justificou, emocionada a catequista de 42 anos. A seu lado, Estrela Pereira, 15 anos, está em Roma pela primeira vez e disse que a homenagem lhe vai ficar na memória. “O
Papa é um símbolo de esperança, não só para mim, mas para todos os
jovens, um símbolo de esperança que conseguiu cativar muito as pessoas
para a Igreja e seguir o exemplo dele também”, afirmou a jovem. A
alguns metros de distância, no registo do jubileu, o catequista João
Cardoso, de Sobral de Monte Agraço, não sabe se vai ver ainda o Papa. “Ainda
estamos a discutir”, admitiu o catequista, de 23 anos, referindo que o
impacto de uma urna exposta pode não ser consensual. Mas sobre o papel de Francisco, João Cardoso não tem dúvidas. “O
Papa Francisco foi um marco para a nossa história, principalmente de
mudança, conseguiu continuar o legado de João Paulo II e modernizar e
abrir” a Igreja, indo “à periferia e chegar a todos os povos, sejam
cristãos ou não cristãos, católicos ou não católicos”. Por
outro lado, “através das suas ações, o Papa Francisco conseguiu motivar
os jovens para a Igreja”, tornando “mais simples” as “palavras de
sempre do Evangelho”, explicou. Exemplo
disso foi a adesão ao jubileu dos adolescentes na sua paróquia. “Muitos
destes jovens que não foram à Jornada Mundial da Juventude vieram cá”. Opinião
semelhante tem Fátima Silva, considerando que este é “simplesmente o
Papa de ‘todos todos todos’”, numa referência à frase dita por Francisco
nas Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa. Esta
expressão prevê a “inclusão, dos pobres, dos mais debilitados, dos mais
postos à margem da sociedade”, porque o “Papa soube incluir, soube
modernizar um pouco a Igreja, que estava um bocadinho mais retrógrada”,
considerou a catequista de Vila Nova de Gaia.“Este
Papa foi fundamental para atualizar a Igreja, as novas formas de
comunicação com os jovens, a forma dele lidar com os problemas da Igreja
veio mostrar alguma abertura para a Igreja que não existia até então e
espero que este legado continue”, acrescentou, admitindo algum receio
para o futuro. “Eu acredito que estas portas se possam fechar, porque não sei quem vem a seguir”, disse. Mas
se existir “um sucessor com a mesma ideologia” de abrir “as portas da
Igreja à modernização” e ao mundo, “creio que é muito difícil chegar à
posição e ao carinho deste nosso Papa Francisco”, disse ainda. O
corpo de Francisco foi exposto para ser velado na quarta-feira e as
exéquias irão terminar com despedidas solenes no sábado, com a
transferência para a Basílica de Santa Maria Maior, onde será realizada a
cerimónia de sepultamento, como havia sido pedido pelo Papa, com uma
única inscrição: “Franciscus”.O Papa Francisco morreu na segunda-feira aos 88 anos, de AVC, após 12 anos de pontificado. Nascido
em Buenos Aires, a 17 de dezembro de 1936, Francisco foi o primeiro
jesuíta e primeiro latino-americano a chegar à liderança da Igreja
Católica. A sua última aparição pública
foi no domingo de Páscoa, no Vaticano, na véspera de morrer. O papa
Francisco esteve internado durante 38 dias devido a uma pneumonia
bilateral, tendo tido alta a 23 de março.