Portugueses andam pouco felizes

22 de mai. de 2012, 11:24 — Lusa/AO online

Nos indicadores do Better Life Index (BLI, “índice para uma vida melhor”) da OCDE, Portugal é também o país onde há mais disparidade na satisfação com a vida entre quem tem estudos superiores ou não. O BLI é um conjunto de indicadores recolhidos pela OCDE com o objetivo de medir a qualidade de vida, indo para lá das métricas económicas tradicionais, como o PIB. O BLI tem dados para os 30 membros da OCDE e para outros seis grandes países (Indonésia, China, Brasil, Índia, Rússia, África do Sul). Um desses indicadores é a perceção subjetiva da satisfação com a vida, medida através de uma sondagem – embora a OCDE reconheça que a metodologia atual não garante resultados perfeitos. A boa notícia nos dados hoje apresentados é que uma maioria da população mundial consultada se diz satisfeita com a vida. A má notícia para Portugal é que os portugueses estão entre os menos satisfeitos. Instados a avaliar a sua satisfação geral com a vida numa escala de 0 a 10, a resposta média dos portugueses inquiridos foi 5,2. Este valor fica muito abaixo da média da OCDE: 6,7. No entanto, também segundo o estudo, 72 por cento dos portugueses responderam sentir “mais experiências positivas que negativas” num dia normal – valor idêntico ao da média da OCDE. Os portugueses são o segundo povo menos satisfeito com a vida na OCDE: só a Hungria teve um registo inferior. No conjunto dos 36 países analisados, a China é o único país que fica mais abaixo ainda. No extremo oposto, foi nos países nórdicos e em alguns países anglófonos (Canadá, Austrália) que se registaram maiores níveis de satisfação com a vida. A OCDE nota que há uma correlação entre níveis de rendimento e graus de satisfação. Há também uma correlação com os níveis de ensino: quanto mais baixo o nível de ensino, menor a satisfação com a vida, “sobretudo nos países de menores rendimentos”. Ora, Portugal é o país onde esta diferença é mais pronunciada: os níveis de satisfação expressos por quem tem estudos superiores são superiores aos de quem só tem estudos secundários, e muito maiores que os de quem só tem estudos primários. A diferença é mesmo a maior de todos os países analisados. Todos estes dados devem contudo ser analisados com reserva. O indicador de satisfação com a vida do BLI é calculado através do tratamento estatístico feito pela OCDE aos dados de uma sondagem da firma Gallup. A própria OCDE reconhece que este não é um método completamente fiável, porque a amostra da Gallup é “relativamente pequena”. Os resultados deste indicador devem assim ser considerados como “provisórios”, e a organização espera apresentar dados mais sólidos nas próximas edições do BLI.