Portugal voltou a ultrapassar a barreira dos 80 mil nascimentos em 2022
18 de jan. de 2023, 06:56
— Lusa/AO Online
Segundo
os dados do Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN), que cobre a
quase totalidade de nascimentos em Portugal, foram estudados 83.436
recém-nascidos em 2022, um aumento de 5,3% relativamente a 2021
(79.217), ano em que Portugal registou o menor número de nascimentos.Antes
deste mínimo registado em 2021, o número mais baixo tinha sido
verificado em 2014, com 83.100 exames realizados no país, e o mais alto
no ano de 2000 (118.577), segundo dados consultados pela Lusa.Setembro
foi o mês que registou o maior número de “testes do pezinho” no ano
passado (7.979), seguido de agosto (7.862), novembro (7.544), outubro
(7.147), março (7.097), maio (6.915), junho (6.904), dezembro (6.744),
julho (6.763), janeiro (6.482), fevereiro (6.049) e abril (5.950),
precisam os dados avançados à agência Lusa pelo Instituto Nacional de
Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), coordenador do programa de rastreio.Os
dados indicam que os Açores foram a única região do país que rastreou
menos recém-nascidos em 2022 face ao ano anterior, totalizando 1.997,
menos seis do que em 2021, e Portalegre igualou o número de nascimentos
(584).Lisboa foi a cidade que rastreou
mais recém-nascidos, totalizando 24.842, mais 1.348 comparativamente a
2021, seguida do Porto, com 15.255, mais 519 face ao ano anterior.Braga
registou 6.407 nascimentos em 2022, mais 574 relativamente a 2021, e
Setúbal 6.373, mais 454, adiantam os dados do “teste do pezinho”,
realizado a partir do terceiro dia de vida e que permite detetar 27
doenças, possibilitando uma atuação precoce e um desenvolvimento mais
saudável das crianças.Comentando estes
dados à Lusa, a demógrafa Maria João Valente Rosa destacou o facto de
Portugal ter voltado a ultrapassar a barreira dos 80.000 nascimentos, “o
número psicológico” que se tem na cabeça quando se fala de poucos
nascimentos.A professora universitária da
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
adiantou que estes dados e os dados do Instituto Nacional de
Estatística, que reportam a novembro de 2022, também indicam que o saldo
natural (a diferença entre os que nascem e os que morrem) será “menos
baixo do que em 2021”, ano em que morreram mais de 45.000 do que aquelas
que nasceram. “Em 2022, em virtude deste
aumento dos nascimentos, que não é muito significativo, e também pela
evolução dos óbitos, podemos concluir que o saldo natural não seja tão
negativo quanto foi em 2021, mas mesmo assim vai ser muito negativo”,
sublinhou. Segundo a demógrafa, o que se
está a assistir “é o resultado de algo que aconteceu no passado muito
recente, que levou ao retardar do projeto de parentalidade” na altura da
pandemia de covid-19 por medo, insegurança, instabilidade, nomeadamente
laboral, entre outras razões. Na sua
perspetiva, estes nascimentos são em parte resultado dessa decisão que
acabou por se concretizar ainda em 2021 com resultados em 2022.
“Este retardar do projeto pode também fazer com que, em muitos casos,
um segundo e terceiro nascimento não venha a acontecer mesmo que as
pessoas queiram, porque o período fértil da mulher é limitado e a
capacidade biológica para se ter filhos vai diminuindo a partir dos 35”,
explicou.