Portugal volta a cair no ranking dos países europeus sobre direitos LGBTI
10 de out. de 2023, 09:30
— Lusa/AO Online
O
ranking é elaborado pela organização não-governamental ILGA Europa e
avalia a situação jurídica, social e política das pessoas LGBTI
(Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo) em 49 países europeus.Depois
de em 2021 ter caído para a 9.ª posição, quando em 2020 tinha ficado em
4.º lugar, Portugal cai mais duas posições em 2022 e está agora em 11.º
lugar, atrás de Malta (1.º lugar), Bélgica, Dinamarca, Espanha,
Islândia Finlândia, Luxemburgo, Suécia, Noruega e França (10.º lugar).No
global, Portugal obtém uma avaliação de 62% (em 100%), mas tem a pior
nota (33%) em matéria de asilo, por oposição ao espaço público, onde
obtém nota máxima.Em matéria de igualdade e
não discriminação, Portugal consegue 43%, com a ILGA Europa a destacar o
trabalho que a sociedade civil tem vindo a fazer no sentido de fazer
pressão para que a identidade de género seja incluída na Constituição e
para que o Governo garanta que as pessoas transgénero e as pessoas com
diversidade de género sejam efetivamente protegidas pelo Código do
Trabalho e pelo Código Penal.Nos direitos
das famílias, o país consegue a sua segunda melhor classificação, com
83%, valor que desce para 73% em matéria de reconhecimento legal, 51% em
crimes de ódio e discurso de ódio, e 50% em relação à integridade
física das pessoas intersexo.A ILGA Europa
volta a chamar a atenção de Portugal para a necessidade de proibir as
chamadas “práticas de conversão” com base na orientação sexual e na
identidade de género, e recomenda que sejam implementadas políticas
públicas e outras medidas em matéria de asilo que contenham uma menção
expressa a todas as orientações sexuais, identidade de género,
expressões de género ou outras características sexuais.Sugere
também que Portugal clarifique a proibição legal “da mutilação genital
intersexual através de políticas que estabeleçam regras claras para o
consentimento informado e garantam o efeito pretendido de proteger as
pessoas intersexuais de intervenções sem o seu consentimento pessoal”.Para
a ILGA Europa importa igualmente que os planos de ação tenham menção
expressa a todas as orientações sexuais, identidade de género,
expressões de género ou outras características sexuais e que sejam
acompanhadas de medidas específicas de progresso.