Portugal vai reforçar contributo para conjunto de apoios da NATO
Ucrânia
29 de nov. de 2022, 15:12
— Ana Raquel Lopes/Lusa/AO Online
À entrada da reunião do Conselho do Atlântico
Norte João Gomes
Cravinho salientou que os apoios concretos serão debatidos numa reunião
ao nível dos ministros da Defesa, mas garantiu que Portugal vai
reforçar o seu contributo no âmbito do “quadro de conjunto de apoios que
a NATO está a oferecer à Ucrânia”. Questionado sobre medidas em concreto, Cravinho respondeu: “Falarei disso dentro da reunião”. Gomes
Cravinho começou por referir que a reunião regressa a
Bucareste, local onde em 2008, num encontro ao nível de chefes de
Estado, se realizou “uma cimeira muito importante onde se estabeleceu a
política de portas abertas”. “Essa
posição, essa postura, em relação de Ucrânia, à Geórgia, à Moldávia
mantêm-se, portas abertas da NATO, e Portugal tem sempre apoiado
claramente essa posição que é tanto mais importante quando temos um
cenário de ataque da Rússia à Ucrânia”, ressalvou. Cravinho
foi ainda interrogado sobre a opinião de alguns analistas de que a
declaração da cimeira de 2008, que abriu a porta a uma eventual adesão
da Ucrânia e Geórgia à NATO e gerou uma forte objeção por parte de
Vladimir Putin, que estava presente nesse encontro, terá sido um erro.
Meses depois desta declaração polémica, a Rússia invadiu a Geórgia.“Aquilo
que julgo ter acontecido em 2008 é que vários, incluindo na altura a
administração [George W.] Bush, procuraram promover a ideia da adesão da
Ucrânia. Não se foi por esse caminho, manteve-se a ideia de portas
abertas, ou seja, a possibilidade de adesão da Ucrânia à NATO num futuro
que não tinha um horizonte temporal definido”, respondeu. Na opinião de Gomes Cravinho, “é muito difícil dizer que a invasão da Rússia tenha a ver com a não adesão da Ucrânia à NATO”. “Penso
que não há nenhuma justificação para a invasão da Ucrânia, não havia
nenhum tipo de ameaça à segurança da Rússia, e aquilo que se fez em 2008
não constitui seguramente uma ameaça para a Rússia”, salientou.Depois
de esta manhã o secretário-geral da NATO ter admitido que a Europa tem
que estar preparada para receber mais refugiados vindos da Ucrânia,
Gomes Cravinho salientou que Portugal já acolheu cerca de 53 mil
refugiados ucranianos e tem à volta de cinco mil crianças em escolas
portuguesas, esperando, contudo, que estes cidadãos possam regressar em
breve ao seu país de origem. Questionado
sobre se Portugal deveria reconhecer a Rússia como um estado promotor do
terrorismo – recomendação ao Governo já entregue na Assembleia da
República pelo Chega na sequência da resolução não vinculativa do
Parlamento Europeu nesse sentido – Gomes respondeu que essa é uma
matéria que não está em discussão. “Isso é
uma matéria que tem estado em discussão no Parlamento Europeu, não é
uma discussão nem na mesa da União Europeia, muito menos na mesa da
NATO, é um assunto que atualmente não está em discussão”, sublinhou. Já
quanto à meta pedida pela NATO aos Aliados de atingir 2% do Produto
Interno Bruto (PIB) em despesas militares, Gomes Cravinho afirmou que
Portugal está a corresponder aos compromissos assumidos pelo país.“Agora,
a situação atual que se vive na Ucrânia tem que ter uma resposta
imediata que não tem a ver com metas de percentagem de PIB. Tem a ver
com apoio político, militar financeiro e humanitário. Em todas essas
frentes Portugal tem dado provas de generosidade e empenho e assim
continuará”, sublinhou.Os ministros dos
Negócios Estrangeiros da NATO estão hoje em Bucareste no primeiro de dos
dias da reunião do Conselho do Atlântico Norte, na qual deverão acordar
formas de aumentar o apoio à Ucrânia e analisar “os desafios colocados
pela China”. Foram convidados os ministros dos Negócios Estrangeiros da
Finlândia e da Suécia, dois países que aguardam a ratificação para
aderir oficialmente à Aliança.