Portugal vai liderar transformação económica com centro de biotecnologia azul
26 de abr. de 2023, 16:52
— Lusa
“Eu penso que este é um dos
grandes projetos transformadores da economia portuguesa. Aqui, em
Matosinhos, há todas as condições para ele ser lançado. Queremos criar
um centro internacional de biotecnologias azuis que coloque Portugal na
liderança desta transformação do modelo de desenvolvimento económico que
temos hoje, que repousa na utilização de produtos poluentes”, afirmou
António Costa e Silva, à margem da cerimónia de assinatura do protocolo
que estabelece a base de trabalho daquele projeto.O
Centro Internacional de Biotecnologia Azul vai resultar da colaboração
da Galp, da Fundação Oceano Azul, da Câmara Municipal de Matosinhos, no
distrito do Porto, e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do
Norte (CCDR-N).Segundo o titular da pastada Economia e do Mar, este é um “projeto de grande ambição”.“A
importância é grande porque a economia azul, segundo as estimativas da
União Europeia, são cerca de 200 mil milhões de euros que vai atingir em
2030 (…) queremos atrair entre cinco a 7% desse valor de mercado,
criarmos no país condições para gerar receitas que vão entre 10 a 14 mil
milhões de euros”, apontou.Aquela
valência vai ficar instalada nos antigos terrenos da refinaria da Galp,
em Matosinhos, que fechou portas em 2020, mas a descontaminação dos
solos ainda não foi feita.“A Galp vai-se
empenhar, penso que estão a fazer um trabalho para identificar as áreas
[a descontaminar], pelo que mencionaram, é uma estratégia
gradual, empenhar-se-ão em colocar todos os meios para fazer essa
descontaminação”, referiu António Costa e Silva.Para o ministro, o processo de descontaminação dos terrenos “pode ser um obstáculo se não for tratado da devida maneira”.“É
por isso que a metodologia que temos no Ministério da Economia é falar
com todos os parceiro e sentá-los à mesma mesa. Temos que articular
estas vontades, sabendo que há sempre um mapa de risco”, assumiu.Questionado
sobre como será feita a descontaminação dos terrenos e a cargo de que
entidade, o ministro garantiu que “vale sempre o princípio do poluidor
pagador, o Estado não porá verbas para descontaminar terrenos”, disse.“A Galp assumiu que a descontaminação vai-se proceder rapidamente desde que as áreas sejam identificadas”, explanou.O
projeto daquele centro vai ser apresentado em setembro, segundo apontou
o grupo de trabalho que hoje foi apresentado, esperando Costa e Silva
que em 2025 esteja no terreno: “Os dois anos são para recolher tudo o
que o grupo de trabalho vai produzir, formatarmos em termos de políticas
públicas e, depois, mobilizarmos os parceiros para ter o projeto a
funcionar”, explicou.Ao abrigo do
protocolo hoje assinado, as entidades envolvidas “propõem-se colaborar
ativamente para a criação das condições que permitam a criação de um
espaço que contribuirá para a criação de emprego, para a competitividade
da região e para a afirmação de Portugal como líder da inovação e
investigação aplicada da biotecnologia azul à escala mundial”.A
Fundação Oceano Azul coordenará a criação de um plano de
desenvolvimento e gestão de infraestrutura e tecnologias a incorporar
naquela valência, a Galp definirá as áreas destinadas ao projeto, a
Câmara de Matosinhos dinamizará e promoverá o conceito, enquanto a
CCDR-N vai “procurar reforçar o contributo do mar para a economia
regional”.No dia 21 de dezembro de 2020, a
Galp comunicou à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a
decisão de encerramento da atividade de refinação em Matosinhos,
concentrando as suas atividades no complexo de Sines.