Portugal vai averiguar acusações do Governo venezuelano à TAP
14 de fev. de 2020, 13:38
— Lusa/AO Online
“Face
às declarações das autoridades venezuelanas referindo uma alegada falha
de segurança num voo com origem em Lisboa, o Ministro da Administração
Interna determinou à Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) a
realização de uma averiguação para apuramento dos factos”, indicou o
Ministério, em comunicado.O Governo
venezuelano acusa a TAP de ter violado “padrões internacionais”, por ter
permitido o transporte de explosivos e por ter ocultado a identidade do
líder da oposição, Juan Guaidó, num voo para Caracas.As
autoridades venezuelanas acusam ainda o embaixador português em
Caracas, Carlos Sousa Amaro, de interferir nos assuntos internos da
Venezuela, ao interceder pelo tio de Juan Guaidó, Juan Marquez, que foi
preso na terça-feira, quando aterrou no mesmo voo da TAP, acusado de
transportar explosivos.Segundo o Governo
venezuelano, Juan Marquez, que acompanhava o sobrinho Juan Guaidó,
transportou “lanternas de bolso táticas” que escondiam “substâncias
químicas explosivas no compartimento da bateria”.Assim,
as autoridades venezuelanas consideram que a TAP, nesse voo entre
Lisboa e Caracas, violou normas de segurança internacionais, permitindo
explosivos, e também ocultou a identidade do autoproclamado Presidente
interino da Venezuela, Juan Guaidó, na lista de passageiros, embora a
segurança aeroportuária não seja da responsabilidade das companhias
transportadoras.O ministro de Estado e dos
Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva afirmou hoje que a acusação
dirigida pelas autoridades venezuelanas ao Governo português "não faz
nenhum sentido" e que Portugal espera "que este pequeno incidente seja
rapidamente ultrapassado"."Por via
diplomática, vamos ver se a Venezuela nos dirige algum pedido de
esclarecimento. Naturalmente, nenhuma nota verbal que é apresentada às
autoridades portuguesas fica sem resposta", acrescentou Augusto Santos
Silva, em declarações aos jornalistas, num hotel de Nova Deli, onde se
encontra na Índia a acompanhar a visita de Estado do Presidente da
República, Marcelo Rebelo de Sousa."Quanto
à acusação que foi dirigida pelo presidente da Assembleia Nacional
Constituinte da Venezuela [Diosdado Cabello] ao Governo português e ao
embaixador português, ela não faz nenhum sentido. O Governo português,
nem por ação nem por omissão, contribui na Venezuela para qualquer outra
coisa que não seja facilitar o diálogo político entre as forças que se
digladiam na Venezuela", reagiu o ministro dos Negócios Estrangeiros.Questionado
sobre o que vai fazer diplomaticamente o Governo português, o ministro
respondeu: "São afirmações de uma pessoa. Julgo que os factos são
evidentes e, portanto, devemos todos considerar-nos esclarecidos. O
embaixador de Portugal na Venezuela age por instruções do Governo
português e em conformidade absoluta com o dispõe o direito
internacional. Portanto, espero que este pequeno incidente seja
rapidamente ultrapassado".Augusto Santos
Silva referiu na altura que "as autoridades policiais portuguesas
competentes averiguarão se houve ou não alguma falha de segurança no
transporte, na companhia aérea".O ministro
dos Negócios Estrangeiros frisou que Portugal está empenhado em
"facilitar o diálogo político entre as forças que se digladiam na
Venezuela, para que haja uma transição política pacífica", com "eleições
que sejam justas, transparentes e livres"."Fazemos
isso porque temos centenas de milhar de portugueses que vivem na
Venezuela e cujo bem-estar e cuja saúde são a nossa preocupação maior e o
nosso objetivo maior. E também porque na Venezuela vive cerca de um
milhão de cidadãos que também tem nacionalidade europeia e, portanto, é
para a União Europeia e para Portugal com ela uma matéria de segurança
muito importante", disse Santos Silva.