Portugal vai adquirir três fragatas a Itália num investimento de 3,9 mil milhões euros
20 de jul. de 2026, 17:30
— Lusa/AO Online
Acompanhado
na sua visita a Roma – a primeira de um chefe de Governo português a
Itália em 12 anos – pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Paulo
Rangel, e da Defesa, Nuno Melo, Montenegro anunciou numa conferência de
imprensa conjunta com Meloni a assinatura de acordos na área da política
externa e da defesa, com este último, celebrado no âmbito do SAFE
(Instrumento de Ação para a Segurança da Europa) a contemplar a
aquisição de três fragatas “FREMM EVO”, multifuncionais, que serão
entregues à Marinha portuguesa entre 2029 e 2030.“Este
acordo que hoje celebramos na área da Defesa para a aquisição de três
fragatas, estamos a falar de um investimento de três mil e 900 milhões
de euros, aproximadamente. Estamos a falar de capacidade, que é a
capacidade portuguesa e a capacidade europeia, de vigilância dos nossos
recursos marítimos e de salvaguarda dos nossos interesses estratégicos.
De salvaguarda também da navegabilidade internacional e das condições de
comércio livre e justo a nível global”, declarou Montenegro.“Estamos
a falar de ciência, estamos a falar de conhecimento, estamos a falar de
oportunidades económicas que não se esgotam nestes equipamentos. Há um
conjunto de indústrias e atividades que colaboram para que estes
equipamentos sejam depois considerados de vanguarda a nível mundial, e
tão de vanguarda que a nossa opção foi adquiri-los. Estamos a falar
daquilo que é a nossa estratégia na Europa, de termos maior autonomia,
maior capacidade, mas ao mesmo tempo fazer isso criando mais emprego,
melhor emprego, mais negócios e melhores oportunidades”, prosseguiu.Em
comunicado, o Ministério da Defesa precisa que o acordo de aquisição
das fragatas – em cuja cerimónia participaram o ministro Nuno Melo e o
chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jorge Nobre de Sousa, assim
como o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto –, prevê também “a
sua sustentação, transferência de tecnologia e demais condições
necessária à exploração operacional dos navios, ao longo do seu ciclo de
vida, não inferior 30 anos”.“Este
investimento nas áreas oceânica de superfície e luta antisubmarina
também prevê a cooperação com as indústrias de defesa, com forte
incorporação de empresas nacionais, transferência de tecnologia, a
revitalização do Arsenal do Alfeite, bem como um significativo retorno
para economia nacional”, indica o ministério, acrescentando que “a
decisão representa uma parcela significativa do investimento SAFE (5,8
mil milhões de euros)”.Na conferência de
imprensa conjunta com Meloni no Palácio Chigi, sede do Governo italiano,
Luís Montenegro considerou que tem início “uma nova fase nas relações
entre Portugal e Itália”, que “começa com uma visita de um
primeiro-ministro [de Portugal a Itália] que não se realizava há
sensivelmente 12 anos”, e que eu espera “poder retribuir a breve trecho
recebendo a presidente [do Conselho] Giorgia Meloni em Portugal”. “Temos
uma relação que é antiga, que é forte, que é próxima, mas que tem ainda
muito para dar, que tem ainda muito por explorar, e foi isso que
fizemos na reunião de trabalho que mantivemos. Desde logo, iniciar uma
nova fase de consultas recíprocas ao nível da nossa política externa e,
portanto, dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros. O acordo que
celebrámos é já um sinal muito forte dessa estratégia e desse caminho. E
depois também o acordo que celebrámos para dotar a Marinha portuguesa
de três novas fragatas de construção italiana”, declarou.Também
Meloni sublinhou o facto de esta ser a primeira visita de um chefe de
Governo português a Itália “em mais de 10 anos” e disse “interpretar
esta ocasião como um sinal importante da vontade comum de relançar a
relação” entre os dois países. “Podemos
fazer muito juntos, sobretudo se tivermos em conta as muitas coisas que a
Itália e Portugal têm em comum. Em primeiro lugar, evidentemente, a
nossa localização geográfica. Somos nações marítimas que, desde sempre,
projetam a sua vocação económica, cultural, comercial e estratégica para
além das suas fronteiras, também e sobretudo graças à posição
privilegiada de que gozam em relação ao Mediterrâneo e ao Atlântico”,
afirmou.Meloni disse que ficou acordado
relançar a cooperação bilateral fazendo-o “de forma abrangente, a partir
de um documento assinado hoje pelos ministros dos Negócios
Estrangeiros, o ministro [Antonio] Tajani e o ministro Rangel”, que
permitirá tornar o diálogo político entre os dois governos “ainda mais
estável e ainda mais estruturado”. “É
claro que não partimos do zero. Partimos de bases que já são sólidas”,
disse, apontando de seguida que um dos setores em que Itália e Portugal
“podem certamente dar um salto de qualidade é o da indústria da defesa”.
Giorgia Meloni afirmou “muito, muito
feliz com a decisão das autoridades portuguesas de adquirir três
fragatas EVO construídas pela [empresa de construção naval]
Fincantieri”, considerando que se trata de “um reconhecimento da
excelência da indústria italiana, mas também da demonstração de que a
Europa pode reforçar a sua autonomia investindo nas capacidades
industriais e tecnológicas das suas empresas”.“Penso
também que esta é a oportunidade para aprofundar cada vez mais a
cooperação entre as nossas cadeias de valor marítimas, alargando-a à
construção naval civil, aos diversos setores ligados à economia azul,
mas também à questão global do mar e às cadeias de valor estratégicas
que estão ligadas a este domínio da geopolítica presente e futura”,
completou.Depoisd e Roma, Luís Montenegro
visita na quarta-feira outra capital europeia, Atenas, para uma reunião
de trabalho com o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.