Portugal ultrapassa objetivo europeu de convidar 90% da população-alvo para rastreio do cancro da mama
3 de fev. de 2023, 06:26
— Lusa/AO Online
Em
entrevista à agência Lusa na véspera do Dia Mundial do Cancro (que se
assinala no sábado), José Dinis disse que "há uma novidade boa" a nível
dos três rastreios oncológicos de base populacional (cancro da mama,
colorretal e colo do útero) que conseguiram “melhorar francamente”.“A
grande notícia é que no cancro da mama já atingimos os objetivos
europeus previstos para 2025 a nível europeu de convidar mais de 90% da
população elegível”, salientou o diretor do programa da Direção-Geral da
Saúde.O médico oncologista realçou o
facto de quase 98% da população-alvo (mulheres dos 50 aos 69 anos) já
terem sido convidadas a fazer rastreio, o que considerou “um facto
extraordinário”, que se deveu principalmente à “extraordinária
colaboração” da Liga Portuguesa contra o Cancro que conseguiu,
juntamente com o Estado, implementar de uma forma efetiva o rastreio na
região de Lisboa e Vale do Tejo, a área que estava deficitária.Neste
momento, Portugal está “totalmente coberto”, disse, defendendo ser
agora importante que "a adesão, que ainda está relativamente baixa,
acompanhe a disponibilidade que existe para fazer o rastreio”.Relativamente
aos rastreios do cancro do colo do útero e do cancro colorretal, José
Dinis disse que, apesar de ainda haver problemas, “já há uma recuperação
franca” para níveis pré-pandemia, estando já ao nível de 2019.Reconheceu,
contudo, que a estratégia a seguir nestes dois rastreios vai ter que
ser alterada e para isso as normas foram revistas, sendo que a do cancro
do colo do útero aguarda publicação e a do cancro colorretal está ainda
em revisão.“Nós pensamos que também estes
dois rastreios podem dar um impulso considerável para ultrapassarmos a
marca dos 90% da população elegível convidada” até 2025 como previsto no
Programa Europeu de Luta Contra o Cancro.Segundo
dados da Direção-Geral da Saúde, estes rastreios têm demonstrado a
redução de mortalidade aproximadamente de 30% no cancro da mama, 20% no
cancro colorretal e 80% no colo do útero.José
Dinis avançou que o programa de rastreios será alargado ao cancro do
pulmão, tendo como população-alvo os grandes fumadores, ao cancro da
próstata e ao cancro do estômago, em que Portugal é “infelizmente” o
“campeão da Europa”."É um rastreio [cancro
do estômago] que a Comissão Europeia recomenda vivamente aos países de
elevada incidência e nós estamos na linha da frente", sublinhou.O diretor do programa defendeu que os rastreios têm que atingir o “Portugal profundo”.O
“grande desafio” é que os rastreios atinjam “toda a gente”, afirmou,
defendendo um processo semelhante ao que ocorreu com a convocação feita à
população por SMS para a toma da vacina contra a covid-19.“Aqui
vai ter que ser a mesma coisa. As pessoas vão ter que ser chamadas
independentemente se estão longe ou se estão perto porque tem sempre que
haver um centro perto para que a pessoa seja incluída no rastreio,
porque os rastreios salvam vidas”, defendeu.