Portugal tentou jogar 'devagar, devagarinho' e empata na estreia

Mundial2026

Hoje 10:54 — Lusa/AO Online

Em Houston, João Neves, logo aos seis minutos, deu à seleção portuguesa um arranque de ‘sonho’ no Estádio NRG, perante cerca de 70 mil adeptos, mas Wissa, em cima do intervalo, aos 45+5, castigou a falta de velocidade e a apatia da equipa das ‘quinas’.Prova disso é o lance do golo do avançado congolês do Newcastle, em que apareceu completamente sem marcação no centro da área lusa, batendo facilmente Diogo Costa.Depois de ganhar vantagem no marcador, Portugal optou quase sempre por um futebol pausado e mais preocupado em manter a posse de bola do que chegar com perigo à área do rival africano.Essa opção, misturada com algum excesso de confiança, sobretudo durante a primeira parte, acabam por explicar o empate surpreendente da equipa de Roberto Martínez, assim como o claro baixo rendimento de jogadores determinantes, como Nuno Mendes, Vitinha, Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo.O capitão da seleção portuguesa, a viver a sexta fase final de um Mundial e no dia que se tornou no jogador mais velho a atuar por Portugal, esteve desaparecido em praticamente toda a partida, exceção de dois lances na segunda parte, ambos a terminarem com uma finalização totalmente desinspirada por parte do madeirense.A seleção portuguesa pode até ter acabado o encontro da primeira jornada do Grupo K com 75% de posse de bola, mas foi a RD Congo que rematou mais (oito contra sete) e mais vezes acertou na baliza (duas contra uma).Com o Mundial2026 apenas no início, este empate não muda nada o panorama da seleção nacional na América do Norte, onde continua favorito a vencer o seu grupo e uma das candidatas a conquistar o troféu, mas a exibição, misturada com notório défice físico, de certeza que vai fazer soar alguns alarmes.A nível defensivo, Portugal somou o sexto jogo oficial seguido a sofrer pelo menos um golo, o 12.º dos últimos 13, situação que também deverá preocupar o selecionador nacional e a sua equipa técnica.Como esperado, Tomás Araújo foi o escolhido por Martínez para render o lesionado Rúben Dias, num ‘onze’ sem surpresas, com Bernardo Silva a reforçar mais a zona de meio campo, ficando apenas Pedro Neto e Ronaldo mais na frente.Portugal entrou ‘obcecado’ em ter a posse de bola, não deixando a RD Congo sequer dar mais de um ou dois toques, e cedo tirou frutos disso, com João Neves a marcar de cabeça, solto na área, após excelente centro de Pedro Neto da esquerda. Foi o quarto golo do médio do Paris Saint-Germain com a seleção nacional.Melhor arranque de Campeonato do Mundo seria difícil e Portugal continuou dono e senhor da bola, embora quase sempre de forma pausada e sem qualquer rasgo de criatividade ou risco na tentativa de chegar perto do segundo golo.Isso só foi acontecendo com algumas bolas lançadas na esquerda tanto para as entradas de Pedro Neto como de Nuno Mendes, mas sem sucesso.Nesta fase, mesmo por vezes tendo espaço para sair em ataques rápidos, isto até depois de Wissa e Bakambu terem deixado alguns avisos à defensiva lusa, a equipa das ‘quinas’ optou sempre por jogar pausado, baixar o ritmo e ‘abusar’ de passos curtos.A verdade é que pagou caro essa opção, já que, no último lance da primeira parte, Wissa, também de cabeça, refez a igualdade no marcador, num lance em que metade de equipa portuguesa já tinha a cabeça no intervalo.Sem surpresa, no arranque da segunda parte, Martínez lançou Francisco Conceição para o lugar de Bernardo Silva (jogo para esquecer do novo jogador do Real Madrid) e Portugal ganhou alguma velocidade no flanco direito, com o extremo da Juventus a ficar ligado aos melhores lances da seleção nacional na segunda parte.Já depois de Cancelo ter visto um golo acrobático anulado por fora de jogo, Conceição fugiu duas vezes pela direita e, em ambas as ocasiões, assistiu Ronaldo dentro da área, com o capitão a falhar o alvo.Com o passar dos minutos, a RD Congo foi ganhando confiança e até causou vários problemas ao setor defensivo de Portugal, enquanto os jogadores lusos foram claramente caindo na armadilha da ansiedade e nervosismo, falhando alguns passes e duelo diretos.Martínez primeiro tirou Pedro Neto e Nuno Mendes, colocando Rafael Leão e Nelson Semedo, e depois arriscou mesmo com a entrada de Gonçalo Ramos para o lugar do esgotado Vitinha.Pouco ou nada Portugal ganhou com isso, com um remate quase já em desespero de Bruno Fernandes, em cima do minuto 90, que passou ao lado, a ser o único lance de destaque, numa equipa lusa que terminou a partida claramente fisicamente esgotada.