Portugal tem talento e capacidade instalada, mas orçamento do setor espacial é limitado
Hoje 15:36
— Lusa/AO Online
A
conclusão consta do Estudo Socioeconómico do Setor do Espaço em
Portugal, encomendado pela Agência Espacial Portuguesa (PT Space) à
Novaspace, que avaliou o impacto socioeconómico daquele setor entre 2019
e 2024.Numa comparação internacional com
quatro países europeus – República Checa, Grécia, Espanha e Suécia – e a
Nova Zelândia, Portugal destaca-se pela “forte oferta de engenheiros
aeroespaciais altamente qualificados” e pelo quadro legal que, segundo
os autores, está bem preparado para lidar com o expectável aumento de
pedidos de licenciamento.“Este quadro
proporciona segurança jurídica às empresas nacionais e cria um ambiente
atrativo e transparente para as empresas internacionais”, refere o
estudo, sublinhando que o país está até em vantagem face ao Ato Espacial
da União Europeia proposto.Por outro
lado, a capacidade instalada em Portugal durante os últimos anos abre
portas à possibilidade de o país desempenhar um “papel importante” nas
atividades de regresso à terra.Através do
porto espacial de Malbusca, na ilha de Santa Maria, operado pelo
Consórcio Espacial dos Açores, Portugal é um dos poucos países na
Europa capazes de disponibilizar serviços de lançamento orbital e o
único posicionado para apoiar missões de regresso à Terra.No
ano passado, a Agência Espacial Europeia (ESA) escolheu a ilha de Santa
Maria como local de aterragem do voo inaugural do Space Rider, prevista
para 2028.A própria PTSpace, cujo
lançamento em 2019 é descrito como “um passo fundamental que muitos
países ainda não deram”, é apontada como um dos pontos fortes, pelo
“profundo conhecimento do setor e contactos industriais que podem apoiar
as suas ambições crescentes no país e no estrangeiro”.Ainda
assim, e apesar de reconhecerem que o setor espacial português é,
atualmente, um “contribuinte dinâmico para a inovação, o emprego e a
colaboração internacional”, os autores do relatório sublinham as
dificuldades em aceder a financiamento privado de fontes nacionais ou
internacionais.“Embora exista atualmente
financiamento de capital de risco suficiente no mercado português, estes
não estão a identificar suficientes candidatos viáveis para os seus
investimentos”, explicam.Essa fragilidade
soma-se ao orçamento nacional limitado, que dificulta a capacidade de
Portugal participar de forma significativa em projetos internacionais no
âmbito da Agência Espacial Europeia, ou de fornecer grandes contratos à
indústria para ajudar a estimular o seu crescimento e evolução.Ainda
assim, desde o lançamento da Estratégia Espacial Portuguesa, em 2018, o
financiamento público para o setor aumentou de 55 milhões para 135
milhões de euros em 2023, sem considerar o financiamento relacionado com
a defesa.Os programas da União Europeia
(UE) e os programas descentralizados da UE registaram o maior aumento,
“sublinhando o reforço do envolvimento de Portugal nas iniciativas
espaciais europeias”.Quanto à indústria, a
Novaspace refere a falta de operadores estabelecidos que atuem como
âncoras e estimulem o ecossistema de pequenas e médias empresas.Outro
ponto fraco diz respeito à retenção de talento, uma vez que muitos dos
profissionais formados nas universidades portugueses acabam por emigrar
devido a perspetivas de emprego insuficientes e diferenças salariais.