Portugal tem 140 reclusos por cada 100.000 habitantes, população prisional está a envelhecer
2 de out. de 2017, 08:36
— Lusa/AO Online
"A pirâmide etária da população reclusa
tem, no decurso do tempo e à imagem da população em geral, vindo a
mostrar sinais de envelhecimento", indica o Relatório sobre o Sistema
Prisional e Tutelar, intitulado "Olhar para o futuro para guiar a ação
presente/Uma estratégia plurianual de requalificação e modernização do
sistema de execução de penas e medidas tutelares educativas 2017/2027".
Segundo o estudo, o sistema prisional já acolheu recentemente
perto de 14.000 reclusos, uma taxa de reclusão superior à média europeia
de 116 reclusos por cada 100.000 habitantes. Quanto à média de
idades da população reclusa (39,7 anos), esta coincide com a idade
média da população geral (situada entre os 40 e os 44 anos), sendo que a
proporção de reclusos com menos de 20 anos tem sido sempre inferior à
dos que têm mais de 60. O peso relativo dos que têm entre 21 e 29 anos tem sido também francamente menor dos que os que têm entre 40 e 59 anos.
O relatório indica ainda que a população prisional tem baixos níveis
de qualificação académica, pois, à entrada no sistema prisional, mais de
metade dos reclusos (56,6%) não chegou ao 3º ciclo do ensino básico em
que se cumpre a escolaridade mínima obrigatória. "Neste volume cabem 7,6% de analfabetos e 26% que se quedaram no 1ºciclo do ensino básico", lê-se no documento.
Quanto à situação jurídico-penal da população reclusa, esta
encontra-se maioritariamente condenada (84,6%) e mais de metade (51,1%)
dos condenados cumpria, no segundo semestre deste ano, penas entre os
três e os nove anos, sem distinção entre homens e mulheres e entre
reclusos portugueses e estrangeiros. Relativamente à
criminalidade associada à população condenada, são os crimes contra o
património, em que prevalecem o roubo e o furto, que ocupam o primeiro
Lugar, seguidos de perto pelos crimes contra as pessoas, em que
sobressaem os homicídios e as ofensas contra a integridade física.
Em terceiro lugar, e a sofrer uma quebra constante e continuada no
tempo, encontram-se os crimes relativos a estupefacientes em que o
tráfico tem primazia. O relatório sublinha que muitos reclusos
encontram-se em estabelecimentos fora da sua área geográfica de
residência ou do seu agregado familiar, situação agravada no caso das
mulheres, à exceção dos distritos de Lisboa e Porto. Este facto é revelador - segundo o estudo - da falta de capacidade instalada em determinadas zonas do país.
O relatório denuncia que alguns estabelecimentos prisionais têm
condições de habitabilidade muito degradadas e deficientes e sem uma
maioria de alojamentos individuais, de acordo com os padrões
internacionais em vigor. "Vários estabelecimentos têm uma
reduzida dimensão, nos quais não é possível encetar programas de
ampliação, por falta de espaço para crescerem", lê-se no relatório.
Outra das conclusões do relatório é a de que o sistema prisional
ressente-se de um "continuado desinvestimento" na área dos equipamentos
de segurança (viaturas, CCTV, pórticos detetores de metais, raios x e
outros equipamentos de segurança) e assiste a uma depauperação dos seus
recursos humanos e materiais adequados para fazer face às necessidades
atuais.O relatório alerta ainda para a importância de garantir a
sustentabilidade das respostas estruturadas de reabilitação e de
reinserção dos reclusos, designadamente através do aumento do número de
arguidos e condenados integrados em programas específicos de
reabilitação.Outra prioridade apontada é a necessidade de dar ao
reclusos a oportunidade de desenvolver uma atividade laboral durante o
cumprimento da pena ou medida privativa da liberdade, permitindo-lhe
assim manter "hábitos de trabalho e rotinas de vida estruturantes".