Portugal Space quer aumentar financiamento português da ESA para 1%
28 de mai. de 2025, 12:28
— Lusa/AO Online
“Se não colocarmos
ambição, e em particular Portugal, se não colocar ambição, não teremos a
escala necessária, primeiro para produzir efeitos – efeitos práticos,
efeitos de mercado, efeitos na economia, - e depois não estamos também a
contribuir para o efeito de grupo, que é a construção da resiliência
europeia”, disse à Lusa o presidente da Agência Espacial Portuguesa.Em
entrevista à Lusa a propósito dos 50 anos da ESA, que se celebram na
sexta-feira, Ricardo Conde defendeu que Portugal deve aumentar a sua
participação para um mínimo de 1% do orçamento da agência europeia no
próximo conselho ministerial, que decorre em 26 e 27 de novembro em
Bremen, na Alemanha.No último conselho, em
2022, Portugal aumentou a participação de 102 para 114 milhões de
euros, mantendo a proporção de 0,7% do financiamento total da agência.Portugal é o 10.º país, dos 27 países financiam a ESA, que menos financiamento concede à agência. A Alemanha (20,8%), a França (18,9%), Itália (18,2%) e o Reino Unido (11,2%) são os países que mais contribuem.A contribuição portuguesa para a Agência Espacial Europeia é feita através do orçamento do Estado. Questionado
sobre o papel do financiamento privado na ESA, o responsável disse que
já existe, embora não numa dimensão semelhante à dos Estados Unidos,
porque na Europa “há muito medo de falhar”.Para
Ricardo Conde, é necessário que o setor espacial europeu possa ter cada
vez mais capital privado, para o que defende a existência dos chamados
‘anchor customers’: “Os Estados que investem 50% numa determinada
constelação, que desbloqueia assim a capacidade dos privados”, ao verem
que há uma garantia no investimento público.“Eu
gostava que o mercado espacial atingisse (…) a regra dos terços: Um
terço investimento público, um terço de fundos estruturais, projetos, e
um terço de mercado e capitais privados”, disse. Esta
ambição é ainda mais importante quando o governo de Donald Trump
prepara cortes orçamentais de 24% na agência espacial norte-americana
(NASA).“Os programas conjuntos [com a
NASA] vão ser afetados [pelos cortes]. A Europa tem uma agenda muito
forte no espaço por causa da sustentabilidade. Isso é algo que está
perspetivado deitar para o lixo. Então vai ter uma implicação imediata”,
alertou. Mas os cortes orçamentais na NASA podem também ser “uma oportunidade para a Europa se reforçar”.“A
Europa não tem capacidade para colocar astronautas em órbita. Tem de a
construir”, disse Ricardo Conde, lembrando que os astronautas europeus
viajam “à boleia” dos EUA.“Se quisermos
ter um papel na próxima economia espacial, naquilo que se antevê, ou que
já é economia espacial, temos de ter a componente de acesso ao espaço
na sua plenitude (…). Temos de fazer uma evolução brutal daquilo que é o
nosso sistema de lançamento. Ou seja, copiarmos um bocadinho o que os
Estados Unidos estão a fazer”. Para isso,
defendeu, é preciso que haja “um conjunto de boas vontades” no conselho
ministerial de novembro, quando se decidirá o orçamento para o próximo
triénio.“Cada um faz a sua parte. Cada uma
das agências está a fazer a sua parte. Nós vamos fazer a nossa parte e
temos tido muito boa recetividade do Governo”, concluiu.A
Agência Espacial Europeia (ESA na sigla em inglês) foi criada em 30 de
maio de 1975, com 10 Estados-membros, e hoje soma 23, incluindo
Portugal, que tem cientistas e empresas envolvidos em diversas missões.