Portugal só irá aderir ao Conselho de Paz se se cingir ao conflito israel-palestiniano
Hoje 17:29
— Lusa/AO Online
“O
‘Board of Peace’ [Conselho de paz] é perfeitamente enquadrável se se
restringir a Gaza”, afirmou Paulo Rangel na sua intervenção numa
conferência sobre “O futuro da segurança da Europa”, que decorre na
Fundação Gulbenkian, em Lisboa.A
organização “foi proposta pelos Estados Unidos para este conflito
israelo-palestiniano, gostaríamos que se cingisse a isso”, reforçou,
lembrando que a posição é seguida por outros Estados, incluindo o
Brasil.“O que está previsto na resolução
do Conselho de Segurança [da ONU que aprovou, em novembro, a criação
desta organização] é que haja uma espécie de comissão da paz ou conselho
da paz ou junta da paz, como quisermos chamar, com um papel de
supervisão política de um governo tecnocrático que atua em Gaza”,
lembrou.Por isso, a organização em causa “terá de uma arquitetura diferente da apresentada”, reforçou o ministro.Para
Portugal “como para a generalidade dos países europeus, as Nações
Unidas são uma sede fundamental de governação mundial. E, portanto, aí é
o espaço para o diálogo, é o espaço para as decisões, é o espaço
multilateral em que nós nos queremos afirmar”, observou Rangel.Ainda
assim, o chefe da diplomacia portuguesa admitiu que o país não se
afastará dos Estados Unidos mesmo quando não concorde com “aspetos,
dimensões, propostas ou iniciativas de política externa”.“Nós
somos capazes de dialogar com os Estados Unidos e de contrapor
alternativas”, assegurou, defendendo que “a política externa portuguesa
não abdica do laço transatlântico”.“Isso
seria uma negação daquilo que é o próprio ADN, do que é o código
genético de Portugal e da política externa portuguesa”, concluiu.Criado
oficialmente na quinta-feira passada, o Conselho de Paz foi anunciado
como um organismo com o objetivo de aplicar o plano de Washington para
pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, mas o tratado fundador revela um
mandato muito mais vasto, apresentando-se como uma organização
alternativa às Nações Unidas. Presidido
por Donald Trump, o Conselho de Paz enviou convites de adesão a vários
países, incluindo Portugal, sendo que o preço de um lugar permanente é
de mil milhões de dólares (854,3 mil milhões de euros).Trump
tem sido muito crítico da ONU, criada em 1945, no rescaldo da II Guerra
Mundial, que conta atualmente com 193 Estados-membros.