Portugal sem "encargo adicional" por participar na cooperação reforçada na segurança da UE
6 de nov. de 2017, 17:43
— Lusa/AO online
“A
cooperação estruturada permanente [na área da segurança e da defesa,
PESCO], inclusiva e ambiciosa como o Conselho Europeu determinou que
fosse, não implica para Portugal nenhum compromisso orçamental ou
financeiro adicional àqueles que já são os seus enquanto membro da
NATO”, destacou Augusto Santos Silva, na audição conjunta pelas
comissões de Assuntos Europeus e do Orçamento, Finanças e Modernização
Administrativa, no âmbito do debate na especialidade do Orçamento do
Estado para 2018.
“Do ponto de vista do Governo, a participação na cooperação estruturada
permanente [CEP] não traz nenhum encargo, designadamente orçamental
adicional àqueles que são os nossos em função do compromisso da cimeira
de Gales até 2024 e, pelo contrário, traz enormes vantagens”, destacou.Entre
estas vantagens, Santos Silva apontou que todos os países pagarão o
Fundo Europeu da Defesa, mas os que ficarem fora desta cooperação
reforçada, não poderão beneficiar deste fundo “e da sua provisão de 500
milhões de euros anuais para a janela de investigação e de mil milhões
de euros anuais para a janela de capacidades depois de 2020”.“O
mesmo se aplica ao programa industrial da defesa; nós pagaremos o
financiamento deste programa, porque vai ser pago muito provavelmente
pelas novas perspetivas financeiras”, disse.O
governante acrescentou: “A nossa opção é se queremos sim ou não
participar nos benefícios desse programa. A nossa resposta é muito
simples, é sim, e é isso que propomos à Assembleia da República”.Portugal deve confirmar até dia 11 de dezembro a sua intenção de aderir à PESCO.Os
ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa deverão ser ouvidos em
breve sobre este tema na comissão parlamentar de Assuntos Europeus, por
proposta do Governo. O
PSD, pela voz de Duarte Marques, lamentou que o Governo não tenha dado
conhecimento prévio ao parlamento sobre este processo, acusando o
executivo de ter “um lamentável desprezo” pela Assembleia da República.